Bem estar

Publicado: Quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Entenda sobre Hepatite C, a doença silenciosa que pode matar

Coordenador do Grupo Esperança orienta doentes e familiares.

Entenda sobre Hepatite C através da leitura de uma entrevista com Jeová Pessin Fragoso, coordenador do Grupo Esperança, que orienta portadores de Hepatite C e seus familiares.

Como ficam as ONGs para Portadores de Hepatites a partir da mudança do Ministério da Saúde, que acabou com o Programa Nacional de Prevenção e Controle das Hepatites Virais (PNHV)?
Jeová - Isso nos deixa apreensivos quanto a negligenciarem as Hepatites Virais, como fazem com as DSTs, focando toda a estrutura para a Aids. As HV apresentam grande importância no contexto da saúde pública. Deveria haver no MS uma equipe técnica com expertise para as ações de Hepatites, afastando a possibilidade de que sejam manejadas por equipe que conhece muito bem somente o HIV/Aids. Mas já enviamos uma Moção de Alerta ao diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, subscrito por mais de 70 ONGs de todo o Brasil, no intuito de sensibilizá-lo a manter o PNHVe sua coordenação. 

Qual o papel das ONGs e como era a situação antes do PNHV?

Jeová - O papel das ONGs é atuar pela busca de políticas públicas como também suprir as falhas  na prestação de serviços dos órgãos de saúde, e assim contribuírem  para o estabelecimento da assistência adequada e digna aos portadores de hepatite C e dos demais tipos dessa incidente enfermidade, que se tornou uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil e no mundo. Em 2002, quando foi criado o Programa Nacional de Prevenção e Controle das Hepatites Virais - PNHV, tínhamos enormes dificuldades de assistência. Alguns avanços ocorreram, como a inclusão da sociedade civil no Comitê Técnico Assessor do PNHV, qualificação e reciclagem de profissionais de atenção básica, encontro macro-regionais de coordenadores estaduais. Mas a maioria das postulações dos encontros divagou na modesta atuação do PNHV, mais em virtude da pouca importância que recebia do MS (reduzida previsão orçamentária), do que do esforço de sua equipe técnica.
Em 2009, foi criado o Departamento Nacional de DST/Aids/Hepatites, integrando o Programa Nacional de Aids, PNAids e o PNHV. Acabamos por acreditar que a estrutura que tem a Aids poderia beneficiar as ações para Hepatites. No entanto, o PNHV, para nossa surpresa, acaba de ser extinto.

Como funciona o Grupo Esperança e qual a importância dele para doentes e familiares? 

Jeová - O Grupo Esperança tem como missão prestar apoio em diversos aspectos, para que a população previna-se contra as hepatites, bem como para que os já portadores e seus familiares convivam com a enfermidade da melhor forma, obtendo a assistência e o tratamento adequados, mantendo assim sua qualidade de vida com o mínimo de alteração.

Fale do lado social da doença. Ainda existe preconceito?

Jeová - Por ter forma de transmissão somente através de sangue infectado, a Hepatite C, ao contrário da Hepatite B, não é considerada uma Doença Sexualmente Transmissível - DST, embora não é descartada essa forma de contágio. Beijos, abraços, compartilhamento de copos e talheres e contatos casuais não transmitem o VHC. Faço questão de abordar a forma de transmissão, porque infelizmente ainda perdura entre a população, incluindo até mesmo serviços de saúde, a falta desse conhecimento. Isso acaba refletindo na geração de preconceitos no seio da família, no convívio social e até no ambiente de trabalho, o que gera inclusive demissões arbitrárias ou exclusões em processos admissionais. O autopreconceito também faz-se presente nos pacientes que não recebem essas informações, principalmente os que residem fora das grandes cidades, agravando os efeitos psicológicos.

Qual a perspectiva para o novo tratamento da hepatite C com o novo ‘coquetel’?

Jeová - O grande anseio pela chegada dos inibidores de protease, prevista para 2011, é pelo aumento considerável do índice da possibilidade de eliminação do VHC, que pode chegar, dependendo do caso, até 75%. A diminuição do tempo de tratamento também é uma expectativa que surgiu dos resultados de estudos internacionais.

Como funciona atualmente o tratamento? Por que tanta gente o abandona?

Jeová - Hoje o tratamento padrão, preconizado pela Portaria MS 34/07, é realizado com a utilização dos antivirais (Interferon e Ribavirina). O abandono do tratamento tem várias razões, desde o aspecto clínico, que pode ser determinada a interrupção pelo médico, mediante resultados de exames que apontam baixíssima imunidade após a indução medicamentosa, como também por outras reações adversas, que emergem intensos sintomas que desestimulam o paciente de prosseguir com o tratamento. Há de se considerar também os aspectos sócio-econômicos, quando pacientes encontram dificuldades de locomoção para dirigirem-se aos locais de aplicação. Quando a entrega é feita em mãos, não é raro o paciente não respeitar a data e o horário da aplicação, bem como não preservar a refrigeração e a estocagem adequadamente, fatores que contribuem incisivamente no êxito do tratamento.

Quais os efeitos colaterias da medicação utilizada atualmente?

Jeová - As reações adversas são bem individualizadas, tanto pelo tipo, como pela intensidade, mas nossa experiência na interação com um enorme quantitativo de pacientes ao longo dos anos demonstra alguns mais comuns: cefaléia, depressão, lombalgias e irritabilidade. Perda de peso, intercorrências dermatológicas, entre outras, são um pouco menos frequentes.

Como devemos encarar a hepatite C? O que o doente espera e precisa?

Jeová - Quem descobre a Hepatite C e ainda não tem um agravo importante no seu fígado, deve considerar-se um privilegiado, pois poderá "negativar" a ação do vírus ou estagnar as formas evolutivas da doença. A evolução, na maioria dos casos, é muito lenta. Aqueles que descobrem um início de cirrose poderão conviver com a doença sem alteração, com tratamento e monitoramento adequados, mantendo sua qualidade de vida praticamente inalterada. Até mesmo nos casos em que a única medida seja o transplante de fígado, após a fase um pouco mais centrada na cirurgia, a vida do transplantado pode ser levada dentro da normalidade. O doente normalmente espera soluções imediatas para o seu problema, mas precisa receber as in

Fonte: Areta Alonso/Revolução Comunicação e Marketing

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