Pesquisa revela evolução do poder de compra no interior de SP

Publicado: Quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 por Tamara Horn

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Fator se deve ao reajuste do salário mínimo.

O poder de compra do trabalhador no interior paulista aumentou consideravelmente devido ao reajuste do salário mínimo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo economista e professor da ESAMC Sorocaba, João S. Moura Neto.

Por meio da análise de dados dos últimos anos, Neto destaca que o reajuste expressivo de 14,13%, com aumento real de 7,16%, não é inédito, porém, aos olhos da população, é um crescimento bastante positivo. “Tendo em vista que a média de aumento salarial conquistada pelas categorias sindicais girou em torno de 8%, em 2011, é possível afirmar que as classes reivindicarão um aumento que acompanhe o crescimento do mínimo”, explica. Dessa forma, afirma, gradativamente, todos poderão sentir os benefícios deste aumento, que entrou em vigor em 1° de janeiro de 2012.

Em 2011, o valor do salário mínimo era de R$ 545, com o reajuste, chegou aos R$ 622. Este montante é 9,6 vezes o estabelecido no início do Plano Real, que era de R$ 64,79, em julho de 1994.

O professor explica que o Brasil adota uma regra simples para o cálculo do valor a ser estabelecido. “Por meio da soma da inflação do ano anterior (2011), com o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores (2010), chegamos ao valor final”, afirma. Ele explica que, em 2010, o PIB cresceu 7,5% e a inflação foi alta, jogando os valores para cima. “É preciso destacar que este aumento deverá ser menor nos próximos anos, uma vez que a tendência é que o PIB seja reduzido e a inflação esteja controlada”.

Com o aumento do valor do salário mínimo em dólar também elevado, João diz que as viagens internacionais e as importações tendem a aumentar. Em contrapartida, o custo da mão-de-obra no Brasil aumenta, gerando um gasto maior para as multinacionais que investem no país.

O docente analisou dados do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) e percebeu que, em 1995, era possível comprar 16,4 sacos de cimento com o valor total do salário mínimo. Em 2012, esse número chega a 32,9 sacos. O maior índice é o do ano de 2007, quando foi possível comprar o equivalente a 33,4 sacos do produto.

Quando analisado o preço do litro da gasolina, é possível identificar que, em 2011, o salário mínimo representava a compra de 217,89 litros do combustível. Em 2012, esse número sobe para 233,9 litros, atingindo o maior poder de compra desde 2002, baseados em cotações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o interior de São Paulo.

Para avaliar o impacto do reajuste nos alimentos, o professor analisou o preço do quilo do arroz e do feijão no varejo. Por meio das cotações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, ele comparou o mês de 1994 com o mês de janeiro de 2012. Atualmente, o mínimo oferece um poder de compra 2,93 vezes maior quando avaliado o consumo de arroz, indo de 112,9 kg para 330,9 kg. Sobre o consumo de feijão, o poder de compra é três vezes maior, passando de 57,8 kg para 175,2 kg.

Para finalizar, João escolheu o cinema como item de lazer para ser analisado. Comparando os valores das entradas dos cinemas de um shopping em Sorocaba, João percebeu que, para o lazer, o mínimo não garantiu o mesmo poder de compra ao trabalhador. Atualmente, é possível assistir a 34,6 sessões aos fins de semana, o menor número desde o ano 2000, quando era possível assistir, em média, a 36 sessões. 

Tags: economia, reajuste salarial, poder de compra, salário mínimo, pesquisas

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