Pesquisa revela evolução do poder de compra no interior de SP
Fator se deve ao reajuste do salário mínimo.
Tamara HornO poder de compra do trabalhador no interior paulista aumentou consideravelmente devido ao reajuste do salário mínimo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo economista e professor da ESAMC Sorocaba, João S. Moura Neto.
Por meio da análise de dados dos últimos anos, Neto destaca que o reajuste expressivo de 14,13%, com aumento real de 7,16%, não é inédito, porém, aos olhos da população, é um crescimento bastante positivo. “Tendo em vista que a média de aumento salarial conquistada pelas categorias sindicais girou em torno de 8%, em 2011, é possível afirmar que as classes reivindicarão um aumento que acompanhe o crescimento do mínimo”, explica. Dessa forma, afirma, gradativamente, todos poderão sentir os benefícios deste aumento, que entrou em vigor em 1° de janeiro de 2012.
Em 2011, o valor do salário mínimo era de R$ 545, com o reajuste, chegou aos R$ 622. Este montante é 9,6 vezes o estabelecido no início do Plano Real, que era de R$ 64,79, em julho de 1994.
O professor explica que o Brasil adota uma regra simples para o cálculo do valor a ser estabelecido. “Por meio da soma da inflação do ano anterior (2011), com o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores (2010), chegamos ao valor final”, afirma. Ele explica que, em 2010, o PIB cresceu 7,5% e a inflação foi alta, jogando os valores para cima. “É preciso destacar que este aumento deverá ser menor nos próximos anos, uma vez que a tendência é que o PIB seja reduzido e a inflação esteja controlada”.
Com o aumento do valor do salário mínimo em dólar também elevado, João diz que as viagens internacionais e as importações tendem a aumentar. Em contrapartida, o custo da mão-de-obra no Brasil aumenta, gerando um gasto maior para as multinacionais que investem no país.
O docente analisou dados do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) e percebeu que, em 1995, era possível comprar 16,4 sacos de cimento com o valor total do salário mínimo. Em 2012, esse número chega a 32,9 sacos. O maior índice é o do ano de 2007, quando foi possível comprar o equivalente a 33,4 sacos do produto.
Quando analisado o preço do litro da gasolina, é possível identificar que, em 2011, o salário mínimo representava a compra de 217,89 litros do combustível. Em 2012, esse número sobe para 233,9 litros, atingindo o maior poder de compra desde 2002, baseados em cotações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o interior de São Paulo.
Para avaliar o impacto do reajuste nos alimentos, o professor analisou o preço do quilo do arroz e do feijão no varejo. Por meio das cotações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, ele comparou o mês de 1994 com o mês de janeiro de 2012. Atualmente, o mínimo oferece um poder de compra 2,93 vezes maior quando avaliado o consumo de arroz, indo de 112,9 kg para 330,9 kg. Sobre o consumo de feijão, o poder de compra é três vezes maior, passando de 57,8 kg para 175,2 kg.
Para finalizar, João escolheu o cinema como item de lazer para ser analisado. Comparando os valores das entradas dos cinemas de um shopping em Sorocaba, João percebeu que, para o lazer, o mínimo não garantiu o mesmo poder de compra ao trabalhador. Atualmente, é possível assistir a 34,6 sessões aos fins de semana, o menor número desde o ano 2000, quando era possível assistir, em média, a 36 sessões.