Artista plástico Bruno di Giusti deixa memórias em Porto Feliz
Bruno faleceu no dia 29 de agosto, com 90 anos.
Flávia Gati
O artista plástico ítalo-sorocabano, Bruno di Giusti, faleceu no dia 29 de agosto, com 90 anos. Devido à problemas de saúde e idade avançada, Bruno estava há algum tempo residindo com a filha e seus familiares na cidade de Garça (SP). Em Sorocaba, sua obra está perenizada na igreja da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Ponte.
Sobre o artista
Nascido em Lau Michele di Ramera, na Itália, no dia 13 de outubro de 1920, Bruno se dedica a pintura desde cedo. Estudou na Escola de Belas Artes de Veneza e, mesmo em meio à 2ª Guerra Mundial, fez suas duas primeiras telas sacras mais significativas, uma Santa Rita de Cássia e uma família orando diante de uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, para a igreja paroquial de Santa Luzia, na cidade de Piave.
Terminada a guerra e com a Itália semi-destruida, a família de Di Giusti também partiu para o Brasil, em busca de novos horizontes. Aqui, Bruno logo se mudou para Sorocaba, descoberto pelo então pároco da Catedral, monsenhor Antônio Francisco Cangro, o padre ‘Chiquinho’, que procurava um pintor sacro para decorar a Sé local, há pouco restaurada e ampliada, ganhando os altares laterais. Foi seu coadjutor, padre João Martins, quem encontrou-se com o jovem recém-chegado artista plástico italiano nos corredores da Cúria Metropolitana de São Paulo.
A decoração das oito capelas laterais da igreja da Catedral de Sorocaba, além de outras telas ali existentes, como “A multiplicação dos pães” e a “Ceia dos discípulos de Emaús” na Capela do Santíssimo, e os quatro evangelistas sobre o Presbitério, foram as primeiras obras de Di Giusti no Brasil. Nenhuma outra igreja local contou com seus préstimos, mas durante os mais de 50 anos que residiu em Sorocaba suas obras se espalharam por inúmeras outras cidades da região e até mesmo na capital (São Paulo), onde, ainda na década de 90, passou anos decorando com suas telas sacras a igreja paroquial de Nossa Senhora Aparecida, na região nobre do Ibirapuera.
Bruno di Gusti além de ler muito as passagens bíblicas que ia reproduzir com seus pincéis e estudar a fundo a vida dos santos que iria retratar, como aconteceu com os altares laterais de nosso Catedral, usava feições humanas conhecidas em suas pintuas. Assim, o negro escravo do altar de Nossa Senhora Aparecida da Catedral local, retratava um andarilho da cidade na época; um dos anjos ao lado do Evangelista, reproduzia as feições do menino sobrinho de monsenhor Antônio Francisco Cangro que vivia na igreja a observar seu trabalho, o ex-prefeito e hoje vereador licenciado e secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Paulo Francisco Mendes.
Na região, a cidade onde as obras de Di Giusti mais se sobressaem é Porto Feliz, com telas sacras na igreja matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens e também trabalhos relacionados à história da cidade, no Museu das Monções. Em Tietê, na igreja matriz da Santíssima Trindade, o enorme painel retratando o passado e o presente da tradicional procissão fluvial pelo rio Tietê marcando o pouso do Divino, perpetua a figura do bispo da ocasião, o então terceiro bispo diocesano e primeiro arcebispo metropolitano, dom José Lambert.
Obras suas também são encontradas na igreja matriz de São João Batista, na cidade de Rio Claro; na igreja do Senhor do Bonfim, em Campinas; em Piedade, Buri, Marília,Bragança Paulista, Salto e até na Basílica de Santa Terezinha, no Rio de Janeiro, entre outras. Um de seus derradeiros trabalhos, entre 2005 e 2006, foi para a Paróquia de Vila Arens, na cidade de Jundiaí, onde, ao pintar os 15 quadros da Via-Sacra, inovou novamente, atualizando seus personagens, além de retratar pessoas conhecidas da cidade. Na estação referente à condenação de Jesus, por exemplo, Pôncio Pilatos aparece vestido com toga, lembrando os juízes de Direito da atualidade, e os soldados usando uniformes de policiais militares.
Velório
Vindo de Garça, onde atualmente residia com a filha e a segunda esposa, o corpo do artista plástico Bruno di Giusti foi velado na Ofebas, de onde saiu às 15 horas, para o Cemitério da Saudade. (José Benedito de Almeida Gomes)