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Publicado: Domingo, 31 de dezembro de 2006

O produtor de cacau e o chocolate de qualidade

Crédito: Deborah Dubner / www.itu.com.br O produtor de cacau e o chocolate de qualidade
Gonçalo e sua esposa são proprietários da Fazenda Porto Novo, produtora de cacau em Ilhéus
“Faz dois anos que a nossa fazenda se especializou em sementes de qualidade. A Fazenda do Chocolate, por sua vez, já fazia chocolates e estava buscando diferenciar o seu produto, criando um chocolate puro de origem. Os dois extremos tinham o mesmo objetivo, mas era necessário encontrar uma solução para o meio do caminho. Estávamos separados por um hiato tecnológico e o Luiz Hacker descobriu um jeito de produzir as máquinas artesanais.”, conta Gonçalo, que vê nessa parceria um futuro promissor.
Gonçalo explica que o valor que os grandes fabricantes de chocolate pagam pelo cacau de qualidade não é viável para os produtores.”Normalmente o cacau tem péssima qualidade porque os fabricantes de grande porte não estão dispostos a pagar por um cacau diferente. Infelizmente, ainda não se tem essa consciência.”, lamenta Gonçalo. E finaliza: “Pagando-se um valor justo, viabiliza-se a formação do trabalhador e ainda a preservação da mata atlântica, já que o cacau precisa de sombra para crescer e por esse motivo é um aliado na preservação dessa mata.”
A região cacaueira da Mata Atlântica também pode ser chamada de Floresta de Chocolate. E o Estado da Bahia, onde fica sua fazenda, produz cerca de 80% do cacau do Brasil e 5% do mundo.
A parceria entre a Fazenda Porto Novo e a Fazenda do Chocolate imprime um caráter novo, de valorização da qualidade do cacau. “Nós pagamos pela amêndoa de cacau um prêmio de 75% a mais do que as outras empresas pagam pelo cacau comum”, afirma Luis Hacker, que tem como principal objetivo produzir um chocolate de qualidade, desde a raiz.
 
Gonçalo salienta que o Brasil ainda está longe da Europa e dos Estados Unidos em relação à liberdade dos pequenos produtores para se criar um chocolate próprio. “As butiques de chocolate brasileiras são muito limitadas porque a mistura já vem pronta, então eles só podem interferir nos temperos. Os chocolates belgas, suíços e franceses são criados desde a mistura e por isso têm uma qualidade completamente diferenciada. Portanto, será a primeira vez que isso acontecerá aqui no Brasil: teremos uma qualidade ímpar que acompanha todo o processo, desde a semente do cacau, passando pela mistura e chegando, finalmente, ao produto final, que é o chocolate”, explica Gonçalo.
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