Animais

Publicado: Quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pesquisa feita pela UNESP sobre o sedém

Diversão saudável, inclusive para os animais

Pesquisadores comprovam que o polêmico sedém, usado em rodeios, é inofensivo a bois e cavalos.

Os militantes que atuam em defesa dos animais supostamente maltratados nos rodeios perderam seu mais forte argumento para condenar esse tipo de evento. Graças ao trabalho de um grupo de pesquisadores da UNESP, coordenados pelo médico veterinário Orivaldo Tenório de Vasconcelos, do Departamento de Patologia Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), câmpus de Jaboticabal, eles não poderão mais usar o sedém como motivo para sua luta. Vasconcelos e seus colegas conseguiram demonstrar que, desde que usado corretamente, esse dispositivo – na verdade, uma corda que é amarrada à virilha do animal, nas provas de rodeio, com o intuito de instigá-lo – não causa nenhum dano. Não é o caso de outros maltratos, que costumam passar despercebidos pelos leigos, como os causados pela espora de gancho e pela corda americana, quando tracionada por mais de um peão. 

Vasconcelos sabe do que está falando. Com um grupo que reúne 15 pesquisadores, das áreas de farmacologia, patologia, comportamento e reprodução animal, criou uma linha de pesquisa, o Projeto Sedém, em convênio com a Fundação de Estudos e Pesquisas em Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia – Funep. "Com as pesquisas, provamos que o sedém provoca apenas cócegas na região da virilha dos animais", explica. "É importante lembrar que, nos eqüinos e bovinos, a região da virilha corresponde à região do gradil costal e axilar no homem, em termos de sensibilidade."

TESTES EM 12 ANIMAIS

Os pesquisadores realizaram testes clínicos e laboratoriais em 12 animais não castrados e utilizados em rodeios há pelo menos quatro anos. De acordo com Vasconcelos, os exames mostram que o sedém não tem qualquer relação com ostestículos. "A biópsia, feita depois do uso do sedém, revelou uma epiderme íntegra e derme com estrutura e glândulas sem alterações", conta o pesquisador. "A freqüência cardíaca e respiratória e os níveis do hormônio cortisol, que funcionam como indicadores de estresse, também se apresentaram normais."

Além disso, os animais foram submetidos à prova de disposição alimentar e sexual, logo após a montaria, ainda com o sedém na região da virilha. "Nos dois casos, apresentaram comportamento normal", assegura Vasconcelos. "Alimentaram-se normalmente e, com uma fêmea no cio, desempenharam sua função sexual sem problemas." Esses resultados, já apresentados no último Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, sugerem ausência de dor.

Depois de conseguir mostrar que o sedém não causa danos aos animais, o próximo passo do grupo é transmitir o que aprendeu nesses 10 anos de pesquisa. Para colocar em prática esse objetivo, o médico veterinário Vasconcelos vai dar um curso sobre Veterinária Esportiva, ainda este ano ou, o mais tardar, no primeiro semestre do ano que vem. "Será um curso pioneiro e vai mostrar as verdadeiras causas das lesões nos animais", explica. A julgar pela procura, o curso será um sucesso. Mais de uma centena de médicos veterinários manifestaram a intenção de fazê-lo. "A duração será de dois dias e, com o certificado de conclusão, os veterinários poderão trabalhar como fiscais de rodeio." 

Texto retirado do site da Universidade Estadual Paulista (UNESP):  http://www.unesp.br/aci/jornal/149/medvet1.htm.  

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