Publicado: Quarta-feira, 30 de abril de 2008
Festival Anselmo Duarte atrai 400 pessoas em Salto
Cerca de 30 filmes do cineasta serão recuperados.
Camila Bertolazzi
O Festival Anselmo Duarte, organizado pela Secretaria de Cultura e Turismo de Salto, aconteceu entre os dias 21 e 25 de abril e atraiu cerca de 400 expectadores no auditório do CEUNSP. A realização do Festival é uma homenagem ao cineasta saltense que ficou mundialmente conhecido com o filme “O Pagador de Promessas”, que em 1962 ganhou a Palma de Ouro de melhor filme no Festival de Cannes, em Paris.
Durante o evento, o filho do cineasta, Ricardo Duarte, anunciou em primeira-mão a recuperação física de 30 filmes em que o cineasta tem participação como diretor ou produtor. Nominalmente, Ricardo citou os filmes “Quelé do Pajeú”, “Absolutamente Certo”, “Tico-Tico no Fubá” e “O Pagador de Promessas”. Conforme disse, o projeto enviado ao Ministério da Cultura se enquadra na Lei Rouanet (Lei nº 8.313/91) e foi aprovado e já publicado em Diário Oficial. “Entramos agora na fase de captação de recursos. Estamos imaginando que num período de cinco anos traremos a todo público brasileiro duas ou três caixas com os 30 filmes em DVDs, que iremos doar gratuitamente a instituições dedicadas à cultura e cineclubes”, anunciou.
Na terça-feira, também como parte da 8ª Semana do Contabilista, o Auditório Maestro Gaó recebeu a presença de Anselmo Duarte, que no dia anterior completou 88 anos. Na oportunidade, houve a palestra “A presença do Mito, o Mito presente”, ministrada pelo jornalista Oséas Singh Junior, além de depoimentos de amigos do cineasta.
Estiveram presentes ao festival a população em geral, alunos das unidades IV, V, VI e IX do Cemus (Centro de Educação Municipal de Salto) e acadêmicos do CEUNSP (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio).
Um nome que fica na história
O reconhecimento como melhor longa-metragem num dos principais festivais de cinema do mundo (até hoje a única vez que um filme brasileiro trouxe o cobiçado troféu) é, sem dúvida, um marco histórico, até por ter vencido diretores que também pertencem à história da Sétima Arte, como Michelangelo Antonioni ("O eclipse"), Luis Buñuel ("O anjo exterminador") e Robert Bresson ("O julgamento de Joana d'Arc"). No entanto, não resume a carreira do diretor.
Anselmo dirigiu outros clássicos do cinema nacional, como “Absolutamente Certo” (1957) e “Vereda da Salvação” (1964). Em 1949, recebeu o título de melhor ator por “Um pinguinho de gente”, Prêmio "Revista A Cena Muda", Rio de Janeiro. Nos anos 50, ganhou dos fãs o título de “maior galã do cinema nacional”, o que foi reforçado pela propaganda da indústria cinematográfica. “Sinhá Moça” (1953), uma produção da Vera Cruz em que atuou, ganhou o Prêmio Especial do Júri em Veneza. O desempenho de Anselmo também foi elogiado no papel do compositor Zequinha de Abreu em "Tico-Tico no Fubá" (1952).
Como o próprio Anselmo se define, ele é um “realizador de filmes”: trabalhou como diretor, ator, roteirista, produtor e editor. Sua “estréia” no cinema foi aos 10 anos, no Cine Pavilhão, em Salto, como molhador de tela, que naquela época era um pano que ficava à frente do projetor, distante cerca de 5m. A experiência foi retratada no filme "O Crime do Zé Bigorna", ambientado em 1928. Na trama, os atores Lima Duarte e Stênio Garcia eram os responsáveis pelo trabalho.
- Tags
- cinema
- anselmo duarte
Comentários