Publicado: Quarta-feira, 18 de março de 2009
Um menino
Deborah Dubner
Por Luís Roberto de Francisco
Um menino. Jeito de menino a vida toda: olhar jovem, sorriso constante, amizade fácil, prosa gostosa. Menino de pernas longas, andar rápido, elegante, meio altivo.
Um menino. Vestido como a moda, como gente destacada, ícone de modernidade, sem medo de ser ele mesmo assim.
Um menino. Abraço acolhedor, eternamente carinhoso, opiniões fortes, às vezes polêmicas, às vezes sem pensar. Tudo isso. Muito mais amado que odiado.
Um menino. Poderoso. Registrador constante do tempo, da gente, das coisas da gente, das festas da gente, da alegria da gente, da ansiedade de ver a gente.
Um menino. Generoso. Escrita fácil, filosofia do dia-a-dia: parar e pensar, tomar atitudes e mudar.
Um menino. Sensível na estética da imagem que comove, motiva, identifica, impressiona, a cada mês.
Um menino. Acolhedor e distribuidor (da beleza), sonhador e provocador (da esperança), colaborador e parceiro (das transformações), colega e amigo (todo dia). Tudo coisa de menino.
Senhor de si, na segurança da fala e da escrita: posicionamento firme, sem deixar de ser menino.
Jeito de menino, meio vaidoso: a busca de reconhecimento justo para ensinar a quem não sabe dar valor para quem merece.
Menino diferente, de olhar alternativo, na eterna busca pela melhor imagem, a mais generosa, a da beleza. Encantador, pela observação, pela admiração das cores, das flores, do sorriso, da poesia contida em cada gota de alma que cerca a gente.
Um dia, menino triste, incompreendido, confundido. De modelo de imitação vira objeto de inveja boba, de gente de alma pequena (não de menino). A voz oscilante, do grave para o agudo, voz também forte (coisa de menino), precisa ainda dizer, sem palavra qualquer, o quanto a honra e a dignidade são maiores que a insensatez. O silêncio de quem sempre vive acima das coisas, no oxigênio que alimenta a criatividade do Criador, todos os dias, é a lição que ficou. Menino bom, menino do Bem.
Um menino. Arrancado da gente numa rapidez assustadora, como seus passos, como sua vida.
Ah, menino, saudade... levado no arco-íris da tarde chuvosa, no meio da gente, aquela gente das festas e da alegria, permanece eternamente presente, na memória e no coração da gente.
Um menino maduro, de coerência entre o discurso e a atitude, para sempre, Duca.
Publicado no Jornal A Federação em 26 de março de 2005.
Publicado no Jornal A Federação em 26 de março de 2005.
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