Marina Silva falou sobre Educação e Sustentabilidade em Itu
A senadora mostrou determinação, experiência e humanidade.
Deborah Dubner
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Humanidade, simplicidade, garra, conhecimento e sabedoria. Essa foi a marca que a senadora Marina Silva (PV-AC), pré-candidata à Presidência da República, deixou para a platéia que lotou o auditório em Itu, no dia 15 de abril.
Abordando o tema “Educação e Sustentabilidade”, Marina apresentou com muita propriedade questões práticas que envolvem ações em busca do desenvolvimento sustentável para o planeta. “O Desenvolvimento sustentável deve ser olhado nas dimensões política, social, ética, econômica e cultural. Desenvolvimento sustentável é algo objetivo, não é uma panacéia. É uma construção histórica que está em curso”, afirmou.
O caminho para a construção deste modelo, segundo a senadora, passa pela ética, que, como definiu, deve ser uma atitude de preservação e sustentação da vida. “Uma pessoa depende da outra para viver. Uma obra de arte só é obra de arte a partir do olhar do outro. É um laço social que sustenta o outro, e isso é que temos que levar em conta para o desenvolvimento sustentável. Neste momento civilizatório, é preciso abrir mão das diferenças e cada um fazer a sua parte. Não podemos mais terceirizar as decisões. Muitas culturas já viveram colapsos, e estamos vendo a possibilidade de um novo colapso, mas desta vez de toda a gente”, alertou.
Trazendo exemplos vivos de sua infância e história como seringueira, mostrou ter íntima relação com a natureza e seus ensinamentos. Revelou dificuldades de um grande Brasil que ainda não aprendeu a oferecer oportunidades para todos. Um Brasil com 280 povos que falam 120 línguas, e que ainda exclui seja por questões culturais, econômicas, políticas ou sociais.
Questionou o modelo político e econômico mundial que está em plena falência, trouxe luz à questão do consumismo desenfreado e alertou para as catástrofes climáticas que vão ocorrer, caso não haja rapidamente uma drástica mudança de percurso.
Seu discurso foi um chamado para que cada pessoa assuma sua responsabilidade como ser atuante e agente transformador: “Nós somos a parte da natureza que vê, percebe, escuta e transforma em palavras. De alguma forma nós somos a fala da natureza. Portanto, temos uma responsabilidade muito grande. Não vamos terceirizar aquilo que queremos que aconteça. Nossos sonhos e realizações dependem de nós para acontecer.
A senadora provocou reflexões, instigou novas atitudes, compartilhou histórias de sofrimento e esperança, celebrou conquistas e deixou claro que muito há por se fazer. “Nós vamos ter que construir um novo caminho. Mas a gente só aprende a caminhar caminhando.”
E assim, mostrando sua força e liderança pelo exemplo, convidou a sonhar individualmente e realizar coletivamente. “Eu quero ser mantenedora de utopias. Todos nós podemos ser. Nós não temos que ser pragmáticos. Temos que ser sonhadores. E os sonhadores realizam!”
O evento, que ocorreu no Auditório Nobre Imaculada Conceição do CEUNSP,contou com a presença de diversas autoridades políticas, entre eles o prefeito de Itu, Herculano Passos Júnior, a deputada estadual Rita Passos e o prefeito de Salto, Geraldo Garcia, entre outros, além de pessoas ligadas à causa ambiental, como representantes da Associação Japi. A professora Maria Ângela Pimentel Mangeon Elias presidiu a mesa, representando o reitor Rubens Anganuzzi.
Marina Silva ganhou do Prefeito de Itu, Herculano Passos Júnior, um quadro especialmente pintado pelo artista Paulo Lara, com detalhes de sua vida política e de sua passagem por Itu.
Uma noite memorável para todos os que puderam participar.
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Sobre Marina Silva
No Senado, Marina Silva participa como membro titular da Comissão de Meio Ambiente. A vida política dela começou em 1984, quando fundou a Central única dos Trabalhadores (CUT) no estado do Acre, junto com Chico Mendes. Com a intensa atividade de dele nos seringais de Xapuri, Marina assumia na maior parte do tempo a liderança do movimento sindical no Estado.
Em 1988, foi eleita como a vereadora mais votada para a Câmara Municipal de Rio Branco e conquistou a única vaga da esquerda. Em 1990, candidatou-se a deputada estadual, quando novamente obteve a maior votação. Eleita para o Senado pela primeira vez aos 36 anos como representante do Acre, Marina foi a senadora mais jovem da história da República, e a mais votada no Estado, com 42,77% dos votos válidos.
Seu primeiro cargo no executivo foi o de ministra do Meio Ambiente, de 2003 a 2008. Nestes cinco anos que participou do governo Lula, Marina afirma que optou por não fazer pirotecnia, mas trabalhar por políticas estruturantes, baseadas em quatro diretrizes básicas: maior participação e controle social, fortalecimento do sistema nacional de meio ambiente, transversalidade nas ações de governo e a promoção do desenvolvimento sustentável.
A biografia de Marina Silva fez com que ela fosse escolhida pelo jornal britânico The Guardian, em 2007, uma das cinquenta pessoas em condições de ajudar a salvar o planeta. Recebeu ainda o prêmio "2007 Champions of the Earth", o maior prêmio concedido pelas Nações Unidas na área ambiental.
Em seu segundo mandato no Senado e após 30 anos no Partido dos Trabalhadores (PT), Marina trocou de sigla em agosto do ano passado com a expectativa do Partido Verde (PV) ter candidatura própria para a presidêcia nas próximas eleições.
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