O Lobisomem
Leia a crítica do filme da assustadora criatura da lua cheia
Guilherme Martins
Por Guilherme Martins
Remakes. De uns tempos pra cá, a indústria do cinema resolveu investir nessa safra. Ao invés de criar filmes novos, a onda agora é refilmar os antigos. Porém, na maioria das vezes que a indústria se propõe a esse trabalho, o resultado acaba sendo tão ruim que até compromete a imagem do filme original. Foi com essa premissa que o filme O Lobisomem (refilmagem do clássico de 1941), um dos mais aguardados no ano, estreou nos cinemas. Porém, para a surpresa dos mais pessimistas, o filme consegue superar as expectativas.
A começar pelo visual. O diretor Joe Johnston acertou em cheio na fotografia e no visual do filme, que são magníficos, e logo nas primeiras cenas você já percebe que está diante de um trabalho extremamente competente e bem-feito. Nas cenas noturnas, a lua cheia torna-se um personagem a parte no filme. Já nas cenas feitas ao dia, os tons de cinza tomam conta, trazendo um clima ainda mais tenebroso.
O elenco também é de primeira, trazendo Benício Del Toro, Anthony Hopkins e Hugo Weaving. Porém, devido à nova roupagem dada ao filme, são priorizadas as cenas de carnificina e violência, deixando a história e desenvolvimento dos personagens em segundo plano, o que acaba resultando em atuações um pouco rasas. O personagem de Anthony Hopkins, por exemplo, percebe-se que é muito maior e mais interessante do que o filme o permite ser. Mas, ainda assim, as atuações são competentes, na medida do possível.
Já o lobisomem merece um parágrafo a parte. O visual do monstro ficou excelente e pra quem assistiu o original, são perceptíveis as influências do velho monstro nessa nova roupagem. A criatura é intimidadora, grande e horripilante, do tipo que você não gostaria de encontrar num beco escuro ou muito menos numa floresta. Numa época em que a moda atual são lobisomens adolescentes, com rostinho bonito, corpinho sarado, ou feitos completamente por efeitos de computador, o filme foge do padrão e consegue restaurar a essência do terror antigo, sabendo dosar muito bem os efeitos visuais com a atuação, principalmente nas cenas de transformação, que são o ponto alto da obra. Temos neste filme um monstro feio, que despedaça, desmembra, devora e dilacera suas vítimas com total crueldade e violência, logo o filme não é recomendado para os fãs dos “chihuahuas” de Crepúsculo.
Outro fator extremamente gratificante é que em um período no qual os produtores costumam cortar as cenas mais violentas para diminuir a censura do filme e conseguir faturar mais dinheiro, essa obra também foge do consenso, resolvendo apostar na violência pura e explícita. Então, nada de vermos a imagem ficando toda escura quando o lobisomem está prestes a atacar alguém. Aqui as cenas são mostradas cruamente, sem qualquer tipo de censura, fazendo jus a classificação de 18 anos que o filme recebeu no Brasil.
As cenas de morte são tão sanguinárias e criativas que era comum no cinema ver aqueles que fechavam os olhos diante da violência e aqueles que arregalavam, na expectativa de saber de qual forma agonizante a criatura iria trucidar sua próxima vítima.
Quando me deparo com um remake sempre me imagino se seria realmente necessário fazê-lo. Até que ponto vale a pena pegar um clássico irretocável e transformá-lo para o público atual? Sendo assim, O Lobisomem realmente cumpre a sua função de entreter e não mancha a imagem do filme que o originou, podendo até ser considerado uma homenagem.
Para quem gosta e é fã dessa criatura, assim como do terror clássico, com direito a sustos e carnificina, o filme é imperdível. Já aqueles que desejam ver mocinhos sarados que se transformam em lobisomens como se fossem os Power Rangers, recomendo Lua Nova!
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