Time de Dunga não entra em campo e fica no empate com Portugal
Seleção escalada pelo ex-volante fez tudo. Menos jogar bola.
Leandro Sarubo
Por Leandro Sarubo
O Brasil empatou com Portugal. 0 a 0. Em um jogo que me lembrou a saudosa Portuguesa Santista, a seleção canarinho colocou em campo aquilo que ela conhece de melhor: jogadores travados e incapazes de dominar a bola do mundial. Que certamente não agüenta mais a retranca do técnico que só é simpático com jornalistas de coletivas de propaganda de operadora de celular.
Aliás, Dunga deveria urgentemente pedir a seu patrocinador os 190 milhões de celulares para entoarem cânticos patriotas, marchinhas da época do “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Porque os brasileiros podem votar errado várias três vezes seguidas, mas sabem que não se escala Júlio Batista para a vaga de Kaká ou se poupa Robinho em jogo que poderia determinar a feliz seleção que encontrará Espanha, Argentina e companhia bela na segunda fase, que começa amanhã.
Como falamos de Dunga, o técnico que murmura ofensas em coletivas da FIFA, não é absurdo pensar que sua escalação tenha sido uma provocação à imprensa. Pois, diariamente, questionava-se a possibilidade de esquecer o horror que é Julio Batista e investir em Robinho na armação e uma dupla de ataque igualmente veloz, com Nilmar e Luis Fabiano.
“Onde já se viu isso? Imprensa fazendo perguntas? Cadê os valores cívicos do Geisel?”, perguntava a consciência de Pincel, meio a ofensas e gírias, arquitetando seu plano mirabolante: vencer Portugal sem atacar.
O Brasil não atacou. Luis Fabiano só acertou o gol no intervalo do jogo, quando na propaganda da cervejaria guerreira chutou uma pedra que estufou o fundo do gol cenográfico. Nilmar correu. Em falha da defesa lusitana, que estava uma verdadeira piada de português, a bola sobrou pra ele, que viu Eduardo fazer ótima defesa.
Defesa. O Brasil tinha uma. Não tem mais. Juan quase foi expulso no primeiro tempo ao cortar com a mão uma bola que sobraria para Cristiano Ronaldo, hoje abaixo das expectativas que cercam um craque como ele.
No segundo tempo, mais falhas. Portugal foi para cima. Colocou Simão em campo, astro do Atlético de Madrid. Se o Brasil de Dunga entrou em campo para vencer a imprensa e os traidores da pátria, o time europeu queria mesmo era arranjar um gol e ficar longe da Espanha nas oitavas de final. E se não fosse Julio Cesar, arranjaria. Foram duas intervenções fantásticas, cara a cara. A última, após nova falha de Juan. Por que Dunga gosta tanto de jogadores da Roma e da liga alemã? O videogame dele veio travado?
O José Mourinho do Playstation 1 – o 3 ele não gosta porque tem interatividade, e ele detesta contato -, mostrou ainda sua graça e sofisticação ao colocar Grafite no lugar do entediado Luis Fabiano e Ramires na vaga do moço que vestia a camisa 19 e não fez nada em campo. Josué estava correndo no gramado desde o fim do primeiro tempo, quando substituiu Felipe Melo, que após virar seu placar de agressões contra Pepe (vencia por 2 a 1) corria risco de ser expulso.
Dunga chamou o jornalista Alex Escobar de covarde no último domingo, após a vitória sobre a Costa do Marfim. E disse palavras de baixo calão.
A torcida brasileira repetiu as palavras “dunguescas”. Mas não para o jornalista. Repetiu para seu comandante. Que pensa ser genial. Que pensa ter a Inter de Milão por contar com seu lateral, seu zagueiro e seu goleiro. Que pensa ser popular, quando só é louvado por celulares e latas de cerveja com roupa de gladiador.
Brasil na frente da TV e do PC
Mais uma vez a seleção monopolizou a atenção dos telespectadores e internautas. O Trending Topics conteve praticamente a escalação da equipe. Julio Cesar foi o mais lembrado nos tweets.
Na televisão, audiência esmagadora. A Globo marcou 44 pontos no Ibope, seguida pela Band, que cravou 13%, índice elevadíssimo para os padrões da emissora. SBT, Record e RedeTV! ficaram boa parte do tempo zeradas.