Holanda vence Brasil tirando proveito dos erros de Dunga
Placar holandês foi construído no segundo tempo.
Leandro Sarubo
Por Leandro Sarubo
O Brasil está fora da Copa do Mundo. A Holanda esqueceu seus traumas de 1994 e 1998 e, mais uma vez começando atrás no placar, reagiu perfeitamente ao futebol ensaiado por Dunga e seus seguidores nos últimos meses.
Melhor no primeiro tempo, o Brasil saiu na frente com a improvável assistência de Felipe Melo para Robinho, em um lampejo de craque. O atacante do Santos abria o placar e encorajava os rojões e comentários esperançosos de todos os brasileiros.
A Holanda reagiu no segundo tempo, quando seu técnico, que não é teimoso, resolveu diminuir a previsibilidade de Robben, que só sabe mesmo pegar a bola da esquerda e cortar – a Champions League foi vencida pela Inter com Mourinho loteando zagueiros em torno do jogador.
E assim, logo no início da etapa complementar, em jogada ensaiada de Sneijder e Robben, uma bola cruzada, pela direita, matou o Brasil. Julio Cesar não saiu bem, falhando grosseiramente. Felipe Melo, perdido por ali, cabeceou, e lá que a Jabulani ia pingando e entrando no gol brasileiro.
Partida empatada é garantia de pressão, certo? Errado. Pelo menos para quem vestiu a camisa azul com bolinhas amarelinhas. A Holanda tomou conta do jogo, mesmo sem seu camisa onze muito inspirado e um Van Persie diferente, que lembrou seu péssimo substituto, Huntelaar, pelas várias bolas isoladas.
Sneijder, craque muito raçudo, definiu a vitória holandesa em um gol de cabeça, que selou a volta pra casa do time brasileiro. Em jogadinha de pelada, aliás. Kuyt assistiu seu companheiro também de cabeça, em um escanteio.
Nervoso, o Brasil viu Felipe Melo ser expulso ao pisar em Robben, o cantor Kaká errar muitos passes, Luis Fabiano apanhar da bola, outro Gilberto (o Melo, que é horroroso) entrar em campo e, para não dizer que era uma seleção entregue e apenas agressiva com repórteres, Maicon, Lucio, Robinho e Daniel Alves buscando alternativas.
A Holanda poderia ter goleado. Mas brincou. Brincou muito. Até merecia ser castigada, não por desresepito, mas sim por displicência. Até porque o único desrespeito na jornada tupiniquim na África foi de Dunga, que privilegiou seu ego em detrimento de dezenas de nomes que resolveriam esta Copa de fraco nível técnico em um piscar de olhos.
Audiência bate outro recorde
Quem passava pelas principais ruas e avenidas da cidade já reparava que, muito mais que nos outros jogos, havia um espírito todo especial contagiando a torcida.
Isso se refletiu no número de televisores ligados na transmissão. Somadas, Globo e Band atingiram 87% dos televisores ligados. Considerando as transmissões em HD e da TV paga em satélite, o número ultrapassa a casa dos 90%.
A partida atingiu pico de 50 pontos na Globo – a novela “Passione” e o Jornal Nacional passam longe deste patamar.
No Twitter, Felipe Melo e Mick Jagger dominaram o Top 10 do Trending Topics. Os adjetivos e adereços relacionados ao nome de ambos, em nome da educação, não serão divulgados nesta notícia.