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Publicado: Quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Trilhando entre o passado e o presente

O que você sabe sobre o passado e a História de Itu? Antes de participar da Trilha do Saber, muitos acham que sabem muito. Mas, ao se encantar com as descobertas deste rico passeio, acabam por descobrir o quão pouco sabiam. A equipe do www.itu.com.br acompanhou de perto essas descobertas. Confira!

Trilhando entre o passado e o presente
De onde é esta imagem?

por Eloisa Rodrigues

Roma brasileira, Berço da República, Terras das Coisas Grandes. O passado de Itu guarda segredos e pessoas que explicam estas idéias populares. Segredos estes que começam a ser revelados, num longo caminho percorrido a pé a partir de um ponto: o cruzeiro de São Francisco, localizado na Praça D. Pedro I. A partir daí, todos estão convocados a participar de uma emocionante trilha que leva cada pessoa a um mergulho intenso na história de Itu: a Trilha do Saber.

Orientado pelo Guia de Turismo Fábio Grizoto, a Trilha do Saber tem como principal objetivo ensinar as pessoas ligadas ao turismo, como comerciantes, funcionários de hotéis, policiais e guardas municipais, um pouco mais sobre a história de Itu, além de conscientizar sobre a importância da preservação do patrimônio cultural e histórico da cidade. Mas isso, a princípio, não é tarefa fácil, pois como afirmou Fábio, “pra fazer com que as pessoas aceitem melhor a Trilha, preciso passar por cima de dois pré-conceitos. O primeiro é o de que as pessoas que nasceram aqui acham que já conhecem a cidade. O outro é o que esse cara (o Guia) sabe mais que eu”.

E como passar por esses preconceitos? O guia tem uma solução. Fábio, no começo da Trilha, mostra um folder com a imagem de estátuas da fachada de uma Igreja e pergunta se alguém sabe de onde é. Ninguém reconhece. Somente no meio do percurso descobrimos de onde é o tal lugar. E assim, segue a trilha até seu próximo ponto, com curiosos convencidos que tem ainda muito que aprender.

Voltemos ao ponto de partida. O que o Cruzeiro de São Francisco representa solitário na Praça D. Pedro I? Feito de granito rosa, o monumento era como porta de entrada do Convento Franciscano, fundado em 1692, e que ocupou toda a redondeza da praça. Do Convento hoje somente restam lembranças. Em 1907 um incêndio criminoso levou o prédio abaixo.

Da Praça, a trilha segue para a Fábrica São Luis. A primeira fábrica a vapor de tecidos do Estado de São Paulo. Inaugurada em 1868, depois de mais de um século de funcionamento, encerra as atividades em 1980. Curiosidade: na Fábrica, é possível conhecer um túnel que passa por baixo de uma das ruas do centro da cidade, que tinha como objetivo transportar mercadoria de um prédio ao outro, sem pagar imposto. Além deste túnel, é possível ainda visitar a caldeira e a fornalha da Fábrica, que foram trazidas da Inglaterra.

Num caminho cheio de surpresas, a descoberta da charada inicial. As estátuas do folder pertencem a Igreja do Bom Jesus, local onde antes abrigou a primeira capela da cidade, do século XVII, e que serviu, durante anos, como a primeira matriz de Itu. Em frente a Igreja, o começo de uma civilização. Na Praça Padre Anchieta se encontra o “Marco Zero”, o ponto escolhido pelos bandeirantes para fundar a cidade. Como o Rio Tietê, o meio mais fácil de locomover-se, tornava-se inavegável a certa altura, devido a Cachoeira do Inferno, o caminho que percorriam até o rio tornar-se navegável novamente (até Porto Feliz), tinha que ser a pé. Na beira da estrada por onde passavam, resolveram construir e fundar Itu, que teve como primeiro nome “Nossa Senhora da Candelária de Utu-Guaçu”.

E o que mais se pode encontrar no eixo histórico da cidade? As contradições da vida moderna. Bem no centro de Itu, é possível observar os contrastes de cultura: de um lado, uma fachada com características alemãs, e do outro, um sobrado histórico datado de 1820. Diferenças comuns no dias atuais, mas que destorcem as finalidades de uma cidade que tem como principal função, seu turismo histórico-cultural.

Das “coisas grandes de Itu”, a trilha segue para o Museu da Energia — que foi a primeira casa de Itu a ter o ponto de energia — e ao Museu Republicano — sobrado do século XIX que sediou, em 18 de abril de 1873, a “Convenção de Itu”, o famoso encontro de paulistas partidários, que discutiram novos princípios políticos, econômicos e sociais, lançando as bases do PRP (Partido Republicano Paulista) e que deu a Itu o título de Berço da República.

Perto do fim e depois de uma aula de história e política no Museu Republicano, a Trilha e seus participantes reconhecem o outro título dado a Itu, o de Roma Brasileira. Tendo o maior conjunto barroco Paulista, a Matriz da cidade (Igreja Nossa Senhora da Candelária) foi construída em 1780. Em seu interior, existem obras valiosas, de talhas e de pintura, de autoria de José Patrício da Silva, do Padre Jesuíno do Monte Carmelo e de Almeida Júnior, que também trouxe o relógio, que até hoje nunca deu problemas, nem atrasou.

Quer participar também desta prazerosa descoberta? Todas as quartas e quintas-feiras, às 8h30, a Trilha segue seu rumo a partir do Cruzeiro de São Francisco, desvendando os segredos da história ituana. Mais informações pelo telefone (11) 4023-1544.

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