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Publicado: Quinta-feira, 6 de julho de 2006

Quem foi Arthur Ferreira dos Santos?

Quem não conheceu o casal Arthur e Maria Cristina Ferreira dos Santos fica com vontade de tê-los conhecido, ao ouvir amigos e vizinhos falarem com tanto respeito, amor e admiração. Ele, carioca de origem portuguesa. Ela, uruguaiana, filha de um crítico de arte, que veio morar no Brasil desde cedo.

Crédito: Deborah Dubner / www.itu.com.br Quem foi Arthur Ferreira dos Santos?
Edna Meneghini pintou o retrato do casal, que fica na entrada da Casa da Arte

Quem não conheceu o casal Arthur e Maria Cristina Ferreira dos Santos fica com vontade de tê-los conhecido, ao ouvir amigos e vizinhos falarem com tanto respeito, amor e admiração. Ele, carioca de origem portuguesa. Ela, uruguaiana, filha de um crítico de arte, que veio morar no Brasil desde cedo.

No dia 25 de agosto Arthur estaria fazendo aniversário de nascimento. Nasceu em 1898 e faleceu em 1993. Viveu em muitos lugares e teve uma fazenda em Amparo, onde viveu com sua esposa por muitos anos. Após a morte prematura de seu único filho, vendeu sua fazenda e após alguns anos veio morar em Itu.

 

São muitas as faces do casal cosmopolita que, embora tendo viajado para a Europa e para outras partes do Brasil, elegeu Itu para viver a velhice com dignidade e bons relacionamentos. Apresentados à cidade por uma amiga, passaram algum tempo indo e vindo, até se mudarem definitivamente, em 1971. Mas... Por que Itu?

Clima quente e ameno, aliado à intensa vida cultural da época, na década de 70, fizeram parte dos motivos. Tradição e silêncio também. “Eles vieram de São Paulo em busca de tranqüilidade”, comenta a artista plástica Edna Meneghini, grande amiga do casal.

 

   Deborah Dubner / www.itu.com.br

“O Sr. Arthur foi meu maior mestre”,
conta Edna Meneghini
“O Sr. Arthur era um homem muito inteligente e adorava ler. Tinha uma meta de ler tantos livros por ano e sempre atingia essa meta. Chegou a ler todos os livros de duas bibliotecas de São Paulo. Era muito disciplinado e organizado”, conta Edna, que conviveu intensamente com o casal e lembra até hoje da toalha branca engomadinha e das xícaras bonitas para tomar o lanche. “Coisas que não se vê mais hoje em dia”, comenta.

 

O engenheiro civil Jair de Oliveira, amigo de todos os momentos, relembra: “Arthur era um homem refinado e extremamente sensível, voltado às artes e às plantas. Ele tinha um prazer especial em mostrar uma flor se abrindo, era atento a qualquer detalhe de beleza que tivesse a sua volta. Eles freqüentavam os eventos culturais de Itu e, embora engenheiro civil formado pela Mackenzie, tinha a pintura como hobby, o que o fazia viajar muito. Ele saía pelo litoral de Santos com outros pintores e retratava as marinhas. Além disso, Arthur também pintou diversas paisagens européias por onde passou”, explica Jair.

 

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“Arthur era um pintor
impressionista de bom nível”,
diz Jorge Luiz
O professor e pesquisador de arte e literatura Jorge Luis Antonio conheceu Arthur na década de 80, apresentado por Sérgio Rizzi. “Ele tinha 80 anos na época e ainda dirigia. Um homem extremamente lúcido, culto e educado, que lia muito e tinha recursos financeiros”, conta Jorge, que também opina: “Era um pintor impressionista de bom nível.”

 

As plantas eram outra paixão de Arthur. “Ele cuidava do jardim com muito carinho. Tratava das plantas, folhinha por folhinha”, relembra Aparecida Castro de Campos, caseira que viveu com eles por vários períodos. 

 

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