Dudu leva Itu a galope para as Olimpíadas
por Simone dos Santos - Revista Aqui!

O sonho supera qualquer sacrifício”. Essa foi a resposta encontrada por Paulo Eduardo Limongi Pacheco, 21, ao ser indagado sobre a sua última conquista: uma das vagas que irá compor a equipe de hipismo, nas Olimpíadas, em Atenas. Dudu, como é chamado pelos amigos e familiares e, agora, por toda a torcida especialmente ituana, embarcou no último dia 4 de julho, dias depois de seu talentoso cavalo “Planetárius”. Antes, porém o cavaleiro ituano e equipe devem passar por mais treinamentos na Escócia para a estréia triunfal no país que inventou os jogos que unem as nações do mundo todo.

As famílias Limongi e Pacheco são conhecidas em Itu e região porque sempre lidaram com cavalos e há décadas marcam presença nas nossas tradicionais romarias a Pirapora. Talvez, por esta razão, Dudu carregue nas veias uma garra especial demonstrada no dorso de um eqüino. Desde os oito anos, quando iniciou a prática do hipismo, os destaques e prêmios passaram a fazer parte da sua vida na mesma proporção em que crescia sua dedicação aos treinos.

Em 1.997, mais determinado, começou o CCE – Concurso Completo de Equitação. Um ano depois já encarou a posição de vice-campeão no Campeonato Brasileiro Júnior e, em 1.999, foi o campeão brasileiro, sendo vice um ano depois na mesma competição. Em 2.001 foi vice-campeão sul americano e o sexto melhor da modalidade.

Numa cronologia que cresce em vitórias na mesma medida do seu afinco ao esporte, em 2.002 sua equipe levou bronze no campeonato norte americano, além do bronze, também no Pan Americano do ano passado, sendo considerado o melhor individual.

Como se vê, o rapaz ituano ultrapassou as fronteiras do país colecionando cobiçados prêmios, além de um dedicado público torcedor. No entanto, sua maior conquista, segundo ele próprio, aconteceu este ano. “Fui o segundo melhor entre os dez selecionados e acabei sendo um dos seis para a vaga das Olimpíadas”, conta Dudu. Os cavaleiros ficaram concentrados em Água Santa/MG. “A gente abre mão de diversão para garantir o sonho de ser campeão”, revela, com uma ponta de satisfação, típica do jovem que encontra na profissão o prazer de viver.

Na equipe brasileira de hipismo, além de Dudu estão Rafael Gouveia, de Atibaia; André Páro, de Colina; Remo Telline, de Franca; Márcio Jorge, de Barretos e Raul Sena, de Belo Horizonte.

Para o ituano, o grande trunfo da equipe é poder contar com o técnico escocês Ian Stark. “Ele é bastante experiente e já venceu três Olimpíadas. Para nós, o perigo são os australianos e os escoceses, mas acredito que a equipe brasileira está bem preparada”, adianta.

Nas Olimpíadas a prova de hipismo conta com três modalidades: adestramento, julgada por quatro juizes; o cross country, no campo; e a prova de saltos. Completamente em sintonia com o seu cavalo, Dudu revela: “o Planetárius é bacana e parece até que ele percebe que está numa competição”.

Em entrevista exclusiva a Aqui!, Dudu contou que para ganhar ma vaga nestas Olimpíadas treinou “muuuuuuito” com o seu cavalo Planetárius. Aliás, sua paixão por cavalos se estende até a faculdade de Veterinária, em Marília, onde cursa com o mesmo afinco que dedica ao hipismo o ano de graduação. Dono de uma simpatia ímpar, Dudu não reclama das baladas perdidas por causa da dedicação aos estudos e ao hipismo. ”Sobra pouco tempo para as saídas com os amigos mas tudo vale a pena, principalmente agora nas Olimpíadas que é quando a gente sente a maior torcida. Na verdade, a caminhada começa agora”, revela Dudu, confiante que fez um bom trabalho e, seja qual o resultado, já é um vencedor por representar o Brasil no maior dos jogos.