Economia & Negócios

Publicado: Quarta-feira, 30 de junho de 2010

Leia entrevista com Maria de Luz Miranda, responsável pelo "Maisde50"

A jornalista conta detalhes de seu trabalho na rede social.

Crédito: Arquivo Maisde50.com Leia entrevista com Maria de Luz Miranda, responsável pelo "Maisde50"
Eunice Santos, Maria da Luz Miranda e Angela Sousa em encontro realizado na cidade de Buenos Aires

 

Itu.com.br - O advento das redes sociais, mais especificamente do Orkut, ajudou o Maisde50 a ampliar sua base de usuários? Algo mudou na sua proposta com a popularização dessas redes sociais?

O Maisde50 é uma rede social desde o princípio. Surgiu antes do Orkut, até. Sempre tivemos a preocupação com o tempo livre e a necessidade de troca afetiva dessa faixa etária. A chegada aos 50 anos vem carregada de mudanças e representa, segundo especialistas, uma segunda adolescência, o que eles chamam de adultescência. É uma época em que, por razões diversas, as pessoas passam a viver situações novas. Divórcio, aposentadoria, saída dos filhos de casa, viuvez. O resultado de todas essas mudanças é que as pessoas vivem solitárias. O que o Maisde50 pretende, desde o início, é aproximar pessoas com interesses e experiências comuns, ainda que geograficamente distantes. Daí você vê que sempre trabalhamos com um público específico que, somente mais tarde, se consolidaria de vez na internet. Hoje, nós sabemos que essa é uma das faixas etárias que mais cresce em acessos. E, sim, o advento de outras redes sociais ajudou a popularizar esse tipo de aproximação entre as pessoas.
 

Itu.com.br - A popularização das redes sociais coincidiu com a popularização da internet. Como o aumento de internautas influenciou no trabalho de vocês, nas metas e projetos?

O público-alvo do site são pessoas em busca de informações sobre a maturidade e o envelhecimento e também em trocas de experiências e ampliação dos círculos de amigos. Na medida em que o público cresce, aumenta o nosso trabalho, obviamente. Mas todos os nossos projetos e metas estabelecidos há uma década tiveram como base a aposta no crescimento desse público. Acertamos. 
 

Itu.com.br - Atualmente quantas pessoas participam do Maisde50? O que o site oferece além da oportunidade de socialização? Como acontecem essas relações entre as pessoas?

O público do site vem crescendo ano a ano. Nos últimos cinco anos, com o envelhecimento do próprio internauta, os acessos e os cadastros aumentaram substancialmente em relação aos primeiros anos. Hoje, temos uma rede de quase 150 mil pessoas, em todo o país. 
 

Itu.com.br - Qual a idade do usuário mais velho? Existem pessoas com menos de 50 anos?

O Maisde50 estimula, desde sempre, a troca intergeracional. Todos os estudos demonstram o quanto é importante, para quem está envelhecendo, ter contato com os mais jovens. 

A equipe que faz o site é jovem e eles gostam disso. Claro que 70% dos nossos cadastrados têm mais de 50 anos. Mas há um percentual significativo de faixas variadas.

E isso repercute de diversas maneiras. Já formamos pares e fizemos até casamento. Uma vez, fomos a Paraty, para uma edição do Encontro de Internautas. Uma participante nos ligou e disse que levaria o namorado, que ela conhecera no Maisde50, e queria celebrar. Foi prontamente atendida. Reunimos todos em um restaurante, pedimos uma música especial, e foi feita a troca de alianças e a jura de fidelidade. Foi uma ocasião especial para eles e para nós. Isso foi em 2003. Ano passado, essa mesma internauta ligou e disse que estava com dificuldade em incluir uma foto no perfil. Eu perguntei pelo marido e ela disse “ah, minha filha, terminamos, mas continuamos amigos. Só que agora eu preciso arrumar outro”. Ela tem 76 anos. Esse tipo de história, ao contrário do que muita gente pensa, acontece o tempo todo. Afinal, ninguém fica assexuado porque o tempo passou. Eles continuam querendo, desejando, torcendo pelo próximo encontro. E a gente faz o que pode para que esses encontros aconteçam. 
 

Itu.com.br - Quando o site muda layout, promove idéias novas, você sente que os usuários se assustam?

Não. Ao contrário do que muita gente pensa, essa não é uma geração avessa a mudanças. Pelo contrário. Eles aceitam, dão opinião, dizem no que acertamos e no que erramos, também.

O que queremos é que eles sintam que a casa é deles, está aberta, e todos devem dizer o que pensam. Assim, fica mais fácil acertar.
 

Itu.com.br - Quais as maiores dificuldades dos usuários no início e o que você considera como obstáculo para que tantos ainda não tenham se familiarizado com o computador?

As dificuldades ocorrem em diversos níveis. Mas o grande problema é que as ferramentas e programas, na maioria das vezes, são feitos para essa geração que já nasceu de mouse na mão.

É preciso considerar que eles não usam Photoshop com desenvoltura, têm receio de entrar em salas de bate-papo, cansam a vista, e não acham tudo tão óbvio. É preciso deixar tudo muito explícito, dar o passo a passo. É só uma questão de facilitar a navegação, nunca de subestimar a inteligência do leitor.

Se eles têm dificuldade com edição de fotos, por exemplo, nós fazemos o trabalho, ou seja, editamos, em média, 400 fotos por dia, que são aquelas de pessoas que querem participar, mas não conseguem reduzir tamanho, por exemplo. Existe o grupo dos que conseguem enviar fotos no tamanho exato para aprovação. Nem todos são assim, é preciso considerar essas diferenças.
 

Itu.com.br - Dados válidos apenas para o Estado de SP apontam que vai chegar a quase 1% (0,8%) o número de idosos internautas.  No resto do país a tendência é que essa média oscile muito pouco. Você acha que a TV, em algum momento, vai ser trocada pelo computador e este número aumentará?

A TV, de certa forma, já está sendo trocada pelo computador. Mas não se trata meramente de uma troca. Todos os outros meios, invariavelmente, usam a internet e eles não deixam de ter audiência meramente. O nosso público, particularmente, ainda não abriu mão da TV ou do rádio, por exemplo. Eles acessam a internet, mas ainda usam esses meios. E a internet, apesar de toda a revolução que causou nas nossas vidas, ainda é muito recente. Não dá pra prever que tipo de surpresas ela ainda vai trazer.

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