Economia & Negócios

Publicado: Terça-feira, 22 de junho de 2010

Principais cidades do país terão banda larga popular ainda neste ano

Até 2014 a expectativa é atender 4278 municípios.

Por Leandro Sarubo

Impulsionado pelo retorno da Telebrás, jurássica estatal que é a atual menina dos olhos do governo lulista, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) começa a mostrar seus primeiros resultados.

16 capitais brasileiras já terão acesso à internet com preços populares em 2010. São elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Natal e Salvador, Palmas, Aracaju, Goiânia, Maceió, São Luís, Teresina, Vitória e João Pessoa. Outras cem cidades do Nordeste e Sudeste do país também receberão o serviço, com custo de R$ 35,00 e velocidade entre 512 e 784 kbps.

Diferentemente do anunciado no dia 6 de maio, data em que o PNBL foi lançado, nada foi falado a respeito do plano de R$ 15,00, que oferecia velocidade de 512 kbps. O projeto do governo é prover esses preços cortando impostos dos prestadores de serviço envolvidos na área – sinal que existe noção da acachapante carga tributária praticada no país.

“A meta para esse ano é implantar o núcleo principal da rede, chamado de backbone, em 16 capitais e interligá-lo com mais 100 cidades, além de ligar 96 pontos corporativos do Governo Federal nas capitais. Até 2014, chegaremos a 4.278 municípios”, disse o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, em entrevista ao blog da 9ª Oficina para Inclusão Digital, sediado em Brasília.

E a relação preço x benefício?

Incentivar o acesso à Internet é uma atitude sempre interessante, independente de sua autoria. No entanto, os preços idealizados pelo presidente da Telebrás e pelo Governo Federal são menos revolucionários se compararmos com o mercado privado.

Já é possível, sem muita pesquisa, encontrar pacotes de acesso das empresas líderes do nicho da banda larga oferecendo conexões com quase o dobro da velocidade por preços que oscilam entre R$ 29 e R$ 39. Essas “ofertas”, claro, nem sempre chegam aos moradores das cidades mais afastadas. E é aí que o serviço estatal, em tese, atuará.

Se você não vê na internet motivos que o façam torcer pelo sucesso dessa empreitada, traremos um a você, dolorido, estrategicamente posicionado em seu bolso: o investimento no dinossauro Telebrás foi, segundo dados oficiais, de R$ 3,6 bilhões, tirados do Tesouro Nacional. Número que pode aumentar se os lucros da empresa não cobrirem o total necessário – R$ 5,7 bi.

Com uma política econômica menos abarrotada de barreiras para consumidores e empresariado certamente que a banda larga custaria menos para o país. Pena que para termos internet moderna utilizemos ideias do tempo do telegrama.
 

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