Direita x esquerda: de que lado os brasileiros estão?
A rivalidade política se renova nos períodos eleitorais.
Leandro Sarubo
Por Leandro Sarubo
PSOL, PC DO B e PSTU. DEM e PSDB. Presidente petista com quase 80% de popularidade. Datafolha apontando um aumento de brasileiros direitistas no país.
O caleidoscópio de tendências, números e aparências da política brasileira confunde não só cientistas sociais, mas também políticos e os profissionais contratados para cuidar da imagem dos partidos. Afinal, o que é, no Brasil, direita e esquerda?
O entendimento do que pertence a estas correntes ideológicas teve início na França pré-revolução de 1789, mais precisamente no posicionamento das “camadas” da sociedade naquela época. Em suma, por lá era assim: durante as votações e decisões o clero e os nobres posicionavam-se à direita do rei. Os camponeses e demais participantes do terceiro estado, que representava as minorias, sentavam à esquerda.
De Napoleão Bonaparte à Nicolas Sarkozy e de Dom Pedro I à Luiz Inácio Lula da Silva, é certo que muita coisa mudou nesta peleja política. A rotulação do que é esquerda e direita ficou em diversos aspectos ultrapassada, não havendo mais relações com os conceitos mais tradicionais, ligados à exploração do trabalho, por exemplo.
João Negrão, doutor em Sociologia Política pela PUC, considera que o antagonismo detém valores que não se transformam com o tempo. “Você tem características que mudam e outros valores que se mantém e permitem que esta distinção perdure até hoje, por mais que você tenha teóricos que digam o contrário. Entre os valores primordiais da direita está a liberdade econômica, na esquerda a busca por igualdade. Para uma esquerda mais moderna e uma direita mais moderna no que diz respeito a liberdades individuais há uma certa convergência.”
Muito mais comum do que ouvir um “seu direitista!!” na rua é ouvir a já clássica expressão “Neoliberal”. A expressão tem origem no liberalismo, filosofia que a corrente apoia por trazer o livre mercado como eixo norteador das atividades do país, o oposto do defendido pelos partidários de esquerda. Até um livro saiu sobre este assunto, escrito pelo economista Carlos Alberto Sardenberg, com o sugestivo título “Neoliberal, não. Liberal”.
Mas, afinal, o que pensam os brasileiros?
O melhor indicador para responder a esta questão data de pesquisa para as eleições 2010. O Datafolha perguntou aos brasileiros, em uma escala de 1 a 7, qual era o posicionamento político do entrevistado, considerando 1 a extrema esquerda e 7 a extrema direita. O 4, como não poderia deixar de ser, sugeriria o centro. O resultado, contabilizando apenas os entrevistados que declararam sua posição ideológica (26% não souberam responder), foi surpreendente.
A somatória de pessoas que se consideram esquerdistas caiu pela quarta vez seguida: 27%. Em 2006 a pesquisa apontava 30%. Em 2000, 35%. Os centristas atingiram 23%, enquanto a direita atingiu impressionantes 50%. Quem poderia sugerir tal pontuação com tamanha popularidade de um governo taxado de esquerda?
A relação do PSDB com a direita ficou mais evidente na mesma pesquisa Datafolha. Em 2006, Geraldo Alckmin disputava com Lula a eleição presidencial. Enquanto Lula tinha seus eleitores dentro da média nacional, 53% dos votantes do tucano se declaravam direitistas. Na pesquisa 2010, 55% dos serristas de declararam direitistas. Mesmo assim, se a maioria é alinhada aos preceitos supostamente contrários aos do Partido dos Trabalhadores, como explicar a preferência dos brasileiros por Lula e agora por Dilma, líder das primeiras pesquisas de opinião?
Jornalista e colunista político, Negrão responde a esta pergunta com uma sutileza que expõe as dúvidas que certamente rondam a cabeça dos brasileiros. “Se a pesquisa fosse feita identificando Lula como manifestação da esquerda e o PSDB/DEM como representante da direita, provavelmente teríamos outro resultado”.
E Itu, de que lado está?
Os partidos políticos do Brasil não têm o hábito de aderir a uma corrente específica, para o medo de afugentar eleitores. O PSDB e o DEM, como opositores tradicionais dos políticos de esquerda, sempre são apontados como representantes. Em Itu, das 9.910 pessoas afiliadas, 12,8% dos votantes são ligados a esses partidos (6,7% para o PSDB e 6,1% para o DEM). O PT fica um pouco acima, com 6,8%.
A grande surpresa revelada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é que o segundo partido com mais afiliados no município é o PTB, com 10,6%, atrás apenas do PMDB, com 12%. O PC do B, mais radical dos partidos anticapitalistas possui um bom número em Itu: 4%.
Tendências políticas observáveis neste termômetro dos partidos? Para o sociólogo Carlos Libman, não. Pelo menos por enquanto “Tenho curiosidade em compreender uma comunidade - a mais arraigada, digamos - que se orgulha (?) de ser o "berço da República", mas que em seu hino, cogita saudades do período colonial.”