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Publicado: Segunda-feira, 21 de março de 2011

O S do Senna

Jos Verstappen e sua Benetton incendiária? Baumgartner e a Minardi que pifa quando o carro enfim se posiciona na zona de pontuação? Qual dos dois pilotos é o mais azarado do circo da Fórmula 1? Resposta chocante: nenhum deles.

O piloto mais azarado da categoria, pelo menos nos últimos quinze anos, não é uma chicane ambulante nem um frequentador de cockpits pouco competitivos. Trata-se do polonês Robert Kubica, talento que em 2010 garantiu até um improvável pódio para a Renault.

Para quem não se lembra, em seu segundo ano na categoria, Robert protagonizou uma cena espetacular no GP do Canadá. Uma considerável pancada. Em janeiro, disputando uma corrida de rally, novo susto, mais grave e de conseqüências lamentavelmente mais drásticas – o piloto não se recuperará a tempo de disputar a temporada 2011, programada para começar no dia 27 de março, em Melbourne.

A fatalidade que acometeu o piloto abriu, como não poderia deixar de ser, uma corrida de bastidores. Assim que as primeiras notícias confirmaram a gravidade do estado de saúde de Kubica, a diretoria da escudeira francesa iniciou as análises para a escolha do substituto de seu piloto principal. Entre os possíveis nomes, um foi especialmente capitaneado no Brasil: o de Bruno Senna, contratado oficialmente para ser piloto de testes.

O que não passava de hipótese no paddock foi, no Brasil, transformado em uma certeza. Enquanto a Renault e o resto do mundo lembravam de um Raikonnen “em férias” e um Nick Heidfeld afastado das pistas, veículos de comunicação pregavam até condições de contrato para o sobrinho de Ayrton, que na data em que este artigo é publicado, 21 de março, completaria 51 anos.

Não demorou muito para o lógico acontecer. O nome de Bruno Senna ruiu e Nick Heidfeld ganhou o posto. Tão logo o cockpit foi preenchido, vários torcedores invadiram redes sociais e blogs reclamando do imperialismo automobilístico, ressuscitando aquele complexo de perseguição tão chato, tão aborrecido. Os colunistas que apostaram em Senna na TV mal falaram, como se soubessem que as frases de apoio disparadas entre as cirurgias de Robert Kubica eram mesmo um argumento pra aproximar mais pessoas de seus sites, jornais e programas, usando o sobrenome Senna.

É absolutamente legítimo torcer para o Brasil. No entanto, o fanatismo que envolve o nome Senna é pouco saudável, para não dizer que é nocivo para o esporte e, a esta altura, para o próprio Bruno. Para começar: o pequeno Senna não fez nada que honrasse uma vaga na Renault ou mesmo em uma equipe menor, como a Toro Rosso.

Das 19 provas do calendário, sua Hispania participou de 18. Não pontuou, não se classificou entre os 15 primeiros em nenhum treino, completou apenas 9 provas, algumas delas atrás do péssimo Karin Chandok, desligado da equipe no meio da temporada. Trata-se de um currículo que não arrancaria suspiros de um Katayama ou um Johnny Herbert.

Bruno tem condições totais de se desenvolver e disputar resultados melhores. Não é o sucessor do seu tio, nem será algo próximo do que ele foi. Em uma análise mais aprofundada, é um tanto quanto óbvio que Lucas Di Grassi teria mais atributos para conseguir um lugar ao sol na categoria, porque é superior a ele em todos os critérios. Só que, para sabermos até onde vai o pressionado sobrinho do tricampeão mundial, é necessário calma. Deixar o garoto correr em paz. Saber que o S do Senna é só uma alegoria.

PS - Quem quiser conversar sobre a corrida da Austrália pode me seguir pelo twitter. Vou dar pitacos ao longo da prova. Meu Twitter é o @sarubo. Palpite para a prova? Alonso, Vettel e Massa. Abraços.
 

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