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Publicado: Quinta-feira, 5 de julho de 2012

Transformando as crises em oportunidades

Em certas ocasiões na vida nos deparamos com crises, pequenas ou grandes, circunstanciais ou estruturais.

Como lidamos com a crise em nossa vida pessoal e profissional? Comumente, na cultura ocidental, encaramos essa situação como um grande problema que exige uma mudança, normalmente de difícil aceitação e é normal o desespero e o pensamento de que o mundo acabou.

Mas é preciso avaliar com cuidado algumas questões relacionadas à crise: é realmente um problema? O quanto impactará nossa vida de fato? Não será o momento de fazer uma mudança? Inicialmente, vamos ponderar sobre o significado das palavras crise, problema e mudança.

Crise: no Dicionário Eletrônico Houaiss, que tem origem no Latim e no Grego, é definida como “momento de decisão, de mudança súbita”, "ação ou faculdade de distinguir, decisão";  na Medicina, historicamente, assume o significado de “o momento decisivo, para a cura ou para a morte” e na Economia, “fase de transição entre um surto de prosperidade e outro de depressão, ou vice-versa”.

Problema: a mesma fonte anterior define esse termo como “o que é proposto, tarefa, questão, assunto controverso”; o dicionário Michaelis apresenta dentre outros, os significados de “tema cuja solução ou decisão requer considerável meditação ou habilidade” e “assunto ou questão que envolve dúvida, incerteza ou dificuldade”

Mudança: de acordo com o dicionário Michaelis, dentre outros, seu significado é “ação ou efeito de fazer passar ou transportar alguém ou alguma coisa de um lugar para outro”, “variação das coisas de um estado para outro” e “modificação ou alteração de sentimentos ou atitudes”.

Então, se passamos por uma crise, que se apresenta como um problema que exige uma mudança, podemos “brincar” com as palavras e criar diferentes visões sobre essa questão.

1. Passamos por um momento de decisão, de mudança súbita, que se apresenta comoproposta, tarefa, questão, assunto controverso que exige uma variação das coisas de um estado para outro.

2. Passamos por um momento decisivo, para a cura ou para a morte, que se apresenta como um assunto ou questão que envolve dúvida, incerteza ou dificuldade  que exige uma ação de passar alguém ou alguma coisa de um lugar para outro.

3. Passamos por uma fase de transição entre um surto de prosperidade e outro de depressão, ou vice-versa  , que se apresenta como um tema cuja solução ou decisão requer considerável meditação ou habilidade que exige uma modificação ou alteração de sentimentos ou atitudes.

Quais as diferenças entre as três frases? Em todas, CRISE tem o sentido de modificação decorrente de algo que nos impele a algo que exige sair da situação atual; PROBLEMA sempre é apresentado como algo a ser resolvido e mudança implica em alteração de alguma questão fundamental interna ou externa.

É óbvio que cada uma delas tem sentido diferente das demais e nossa escolha fará a diferença sobre como viveremos esse momento. E é preciso bom senso, equilíbrio e ponderação em todas para que o resultado seja positivo. Vamos analisar alguns exemplos concretos.

Caso 1: depois de vários anos se dedicando a uma empresa, subitamente você é demitido. Como reagir nessa situação? É claro que alguns fatores importantes tem que ser considerados, por exemplo, como obter outra colocação, como manter a família e a si mesmo durante o período de transição e como arcar com os compromissos assumidos com os recursos desse trabalho. Se optarmos pela visão negativa da situação, iremos ficar otimistas e de mau humor, o que afetará tanto nossa relação com a família, amigos e nossa auto-estima, o que  certamente afetará nossa capacidade de obter uma nova colocação, pois essa postura aparecerá nos processos seletivos que participarmos e terá influência nefasta sobre a percepção do selecionador. Se formos excessivamente otimistas, manteremos o padrão atual e gastaremos o que não temos, sem ter certeza de como será o futuro, estaremos, em um breve futuro, em uma situação difícil de resolver. Esse exemplo nos mostra que EQUILÍBRIO emocional e financeiro é uma capacidade a ser desenvolvida nesse período.

Caso 2: um empresário montou sua empresa, estava relativamente tranquilo em relação à capacidade de gerar receitas e obter lucros, quando a economia passa por uma crise. Talvez, em um primeiro momento, sua reação seja demitir parte do quadro de funcionários (afinal, esse é um custo que tem grande peso no fluxo de caixa da empresa) para enfrentar a situação ou, ainda, vender equipamentos para gerar receitas imediatas. O problema é que, embora possa parecer uma substancial economia inicialmente, a redução do quadro tem um peso social muito grande, na medida em que as pessoas contratadas dependem desses recursos para sobreviver. Por outro lado, cada colaborador que deixa a empresa normalmente tem um capital intelectual e social impossível de ser adquirido em curto prazo e muitas vezes ao sair leva o diferencial da organização, além de exigir um custo adicional no treinamento dos futuros profissionais que serão contratados. Os equipamentos, embora possam ser substituídos quando existir recursos suficientes, provavelmente custarão muito mais do que o preço da venda e terão que ser novamente adaptados para a necessidade da empresa, gerando mais custo futuro. Se, ao contrário, se adotada uma postura de excessivo otimismo e não houver uma análise crítica, avaliando o cenário de curto, médio e longo prazos, a  situação da empresa pode ficar insustentável no futuro, impedindo cumprir os compromissos assumidos com os colaboradores e fornecedores, provocando sua falência. Neste caso, fica claro que a PONDERAÇÃO da situação atual e futura é fundamental para uma decisão sólida e sustentável.

No terceiro caso, uma pessoa é vítima de uma acusação injusta, que coloca sua imagem pessoal e profissional em questionamento, muitas vezes fazendo com que as pessoas de suas relações sociais se afastem. Se encarada como uma situação que se resolverá sozinha e não tomada nenhuma atitude a respeito, é possível que muitos amigos e conhecidos atuais e futuros mantenham a impressão de que a acusação tinha procedência, afinal, o acusado não fez nada para se defender. No caso oposto, se essa pessoa tentar buscar se justificar a todos sem restrições ou atacar seu acusador de forma indiscriminada, é possível que essa postura seja vis

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