Bem estar

Publicado: Segunda-feira, 28 de novembro de 2011

População deve colaborar para evitar a proliferação de caramujos

Denúncias podem ser feitas no setor de fiscalização.

População deve colaborar para evitar a proliferação de caramujos
O controle do caramujo africano consiste na catação e destruição dos moluscos

Com a chegada do verão e das chuvas no final da tarde há um aumento na proliferação de caramujos africanos. O setor de Controle de Vetores de Salto, cujos responsáveis são o biólogo Leandro e o veterinário Rangel, solicita ajuda para a fiscalização de terrenos com mato alto ou sujeira, pois se trata de local propício para infestação.

A denúncia deve ser feita no Atende Fácil, onde será encaminhada para os fiscais, que irão verificar e intimar o proprietário para limpá-lo. Vale destacar que o homem é o responsável pela introdução e a permanência de diversas doenças e o controle ambiental é o mais eficiente, seja para o controle dos caramujos ou e de outras doenças que são transmitidas por insetos.

O Caramujo e a proliferação

O Achatina Fulica, chamado popularmente de caramujo-africano, é um deles. Ele foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 80, com o intuito de se tornar um substituto mais interessante economicamente e de maior peso que o escargot verdadeiro (Helix aspersa). Em pouco tempo de criação se verificou que o animal não tinha boa aceitação pelo mercado consumidor brasileiro, o que provocou a desistência da maioria dos criadores, que se desfizeram dos animais de forma errônea: liberando os caramujos em jardins, matas ou simplesmente colocando-os no lixo.

No Brasil, estes animais não encontraram predadores naturais à sua altura e se multiplicaram rapidamente, invadindo diversos tipos de ecossistemas brasileiros. Como são hermafroditas (possuem os dois sexos em um mesmo animal) conseguem realizar a autofecundação, basta apenas um indivíduo para que a praga se alastre, afinal, são cerca de 400 ovos ao ano por caramujo. Eles não têm seletividade quanto à alimentação, em geral se alimentam de vegetais, mas podem comer seus próprios filhotes, papel e até tinta de parede.

Este molusco é um hospedeiro intermediário de duas doenças de ratos que são também zoonoses, as chamadas Angiostrongilíase, causadas por vermes cilíndricos parasitas de diversos animais, no caso específico, são o Angiostrongylus cantonensis e o Angiostrongylus costaricensis que causam a Angiostrongilíase meningoencefálica e a Angiostrongilíase Abdominal, respectivamente, e todas são chamadas de DTA, isto é, Doenças Transmitidas por Alimentos, que são contraídas ao ingerir alimentos contaminados por fezes de ratos ou por muco dos caramujos.

Ao se depararem com infestações de caramujo-africano, as pessoas logo pensam em venenos para controlá-los. Infelizmente os caracóis e lesmas em geral são muito resistentes a venenos e os únicos produtos comerciais disponíveis que se mostram um pouco eficientes (metaldeídos) demonstram elevada toxicidade para os seres humanos e outros animais, de forma que a utilização de pesticidas não é o método de controle atual mais indicado para estes moluscos.

O controle do caramujo africano consiste na catação e destruição dos moluscos. Jamais os coloque no lixo, pois estará disseminando o problema. Também não coloque sal ou cal nos animais, pois assim contaminará o solo. O preconizado é o seguinte:

• Utilize luvas descartáveis para pegar e manusear os animais.
• Proteja a pele e as mucosas: não coma, fume ou beba durante o manuseio do caramujo.
• Coloque os caramujos em dois sacos plásticos e quebre suas conchas, pisando em cima.
• Enterrem-nos em valas com pelo menos 80 cm de profundidade, longe de cisternas, poços artesianos ou do lençol freático.
• Aplique cal virgem apenas sobre os caramujos quebrados (cuidado, a cal queima a pele).
• Feche a vala com terra.
• Retire as luvas e lave muito bem as mãos após isso.

É possível também utilizar iscas atrativas, que facilitam a catação. Papas de farelo de trigo com cerveja atraem caramujos a metros de distância. Cascas de frutas e legumes, banana, estopas embebidas em cerveja ou leite, assim como simples pedaços podres de madeira que lhes servem de abrigo. Verifique as iscas diariamente e não se esqueça de protegê-las da chuva e do sol.

De preferência instale essas armadilhas em locais úmidos e frescos, preferencialmente sobre a terra. Manter o jardim limpo de folhas mortas e frutos caídos também irá afastar os bichos, e desta forma ainda estará prevenindo outras doenças e pragas, como podridões de origem fúngica e bacteriana, moscas-das-frutas, dengue, leishmaniose, entre outras.

Vale lembrar que as pragas só vivem e se multiplicam onde lhes é oferecido abrigo, comida e água. A Dengue e a Leishmaniose também são zoonoses. Para evitá-las basta evitar água parada e limpa para os pernilongos da dengue e retirar toda matéria orgânica em decomposição (fezes, folhas, esterco caseiro) para o mosquito-palha (transmissor da leishmaniose).

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