Colunistas

Publicado: Quinta-feira, 23 de junho de 2011

Uma noite de sonho

Pelo mais prazeroso dos deveres, eis que se definiu pela agradável obrigatoriedade de fazer recair o programa daquela noite de sábado, dezoito do junho que chega ao fim, na presença do super espetáculo proporcionado pelo concerto da Banda União dos Artistas. Tão chegada e tão próxima e tão vinculada ao melhor dos afetos de cada um, que se permita simplesmente chamá-la assim, a Banda União.

Se de ordinário e sempre, costumeiramente, sem falhar uma vez sequer, ela, a Banda União, assume exibições de primeiríssima qualidade, o quanto não se esperar da ocasião em que ela própria, convida os ituanos a comemorar-lhe os noventa e nove anos de sua fundação!

Perdeu quem não foi.

Não se é comentarista de artes no geral nem se detém conhecimentos especiais sobre a música, melodias e quantos sons sejam possíveis na criação dos artistas, mas que sempre elevam a alma. Como pessoa comum, dessa condição é que aqui ora se fala.

Mesmo porque viver sentimentos, saber aninhar no coração e no espírito, momentos especiais de enlevo e admiração, comparáveis a provocar no âmago do ser humano vibrações de alegria e felicidade que nem se explicam, isso todos os que prestarem atenção e se desprenderem das amarras do lufa-lufa, poderão igualmente viver.

Daí que, vai sonora e gritante a mais não poder, a classificação daquela noite como uma perfeita noite de sonhos inefáveis.

Ao cabo da festividade, porém, os pés da gente aos poucos voltaram a tocar a rés do chão, a interromper uma quase levitação, de tanto bem estar. Vieram como consequência inarredável, mesmo que se tentasse evitás-la, entre outras, o do por quê diante de exibição daquela envergadura, ali não estivessem mais do que trezentas ou pouco mais de presenças ...  Sim, o Salão Maestro Elias Lobo estava lotado! Sequer um alfinete caberia no aperto das muitas pessoas em pé, acumuladas nos fundos e nas laterais. Isso ficou patente.

É que, a Banda União, está afeita a celebrar suas datas ali mesmo. Um concerto de Banda, mesmo dessa, especialíssima, - a Banda União - talvez o povo não tenha tempo, pelo menos no que se refira à quantidade de público do gênero, de se assenhorear de seus valores.

Festa de aniversário, no caso, deveria trazer todos os ituanos ao redor desses profissionais (Profissionais? Se nem salário recebem...), exímios intérpretes, verdadeiramente um artista cada um dos componentes, a extrair a mais envolvente melodia dos trompetes e trompas, das flautas, xafofones e bombardinos, dos fricornos, baixos, percussão e teclado, além de uma intérprete vocal que poderia pisar sem rebuços o melhor dos palcos.  Corolário perfeito ainda na pessoa do regente, que descende de famíla de músicos eméritos, inesquecíveis.

Entretanto, compreende-se um pouco essa aparente indiferença de tantos ituanos. É apenas aparente. Padece a Banda União, inconscientemente, de um mal que assola outras entidades e nomes da tradicionalíssima Itu. O mal do passar dos tempos. A Banda União é quase centenária, uma rotina falar-se sobre ela. Quem não a conhece? Quando a gente nasceu, para a imensa maioria do povo desta cidade, ela já existia. Era comum. Conhecida, como se diz.

Aqui, finalmente, o cerne deste comentário.

O que aconteceu no palco do Salão Maestro Elias Lobo não foi algo simples, comum e repetitivo. Ocorreu ali uma performance impressionante de artistas incomuns, um patrimômio imateiral porém inestimável, da maior significação ao que se pretenda qualificar de altanaria, cultura, cidadania, primor, excelência!

Há de vir, proximamente, o centenário.

Datas, desse teor em causas, promoções e entidades de relevo, merecem toda comemoração e festas da parte de todos, todos mesmo, todos os ituanos sem exeção, povo e poderes constituídos, entidades, associações e assemelhados.

Itu precisa celebrar!

O mínimo portanto a se esperar para 2012.

A Banda União de uniforme vistoso, por mais caro que seja, brilhantemente apresentada na sua indumentária. Senhora e dona de todos os instrumentos, lustrosos e da melhor qualidade e quantidade necessárias. Aliás, no que se refira ainda ao pormenor dos uniformes, que seja ela aquinhoada com mais de um. Não se olvide que existem tempo e temperaturas, inverno e verão.

Um brinde especial ao seu povo e admiradores, no centenário. Mas em palco adequado e que possibilite acústica perfeita, em praça pública, feitos os convites pelos melhores meios de comunicação dos mais diferentes ramos da imprensa.

Perdoem o entusiasmo. Este um mínimo que poderia ser feito, porque naquela noite deu mesmo vontade de sair da poltrona cantando e subir os lances do palco e abraçar demoradamente cada um dos músicos.

Inquestionavelmente, uma noite de sonho.

Comentários