Publicado: Quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Uma despedida de solteiro inesquecível
A realidade costuma chocar mais que a ficção, pois não precisa obedecer à lógica. Aconteceu uma dessas “realidades chocantes” em Querengué, não me lembro quando. Muitos riem desse fato, mas no fundo, no fundo é uma tragédia. O nome do cara era (era, veja bem, o verbo está no passado e já conto porquê) Adolphino. Nunca gostou do nome, vivia tentando mudar, mas não tinha nem dinheiro, nem tempo. Na verdade, como vocês logo saberão em alguns segundos, ele não tinha coragem o suficiente para mudar de nome. E de vida.
Todos já tinham chegado ao Kiko’s Bar, inclusive o noivo. Este, é bom detalhar: tremia como cachorro em dia de banho, Cebolinha perto da Mônica, aluno em dia de prova, empregado na primeira semana de trabalho. Enfim, estava com muito medo e, diga-se de passagem, com razão. Seus amigos (da onça) preparavam essa despedida de solteiro há anos, pois ele era o último da turma a se casar.
- Ô pessoal, não vai me zuar muito!
Fora essa frase que o Jenuário usara na despedida de solteiro dele. O pessoal – Adolphino estava no meio – fizeram o pobre do Jenuário andar em cima da caminhonete com shortinho de lycra e blusinha de lã. Saiu até na Folha de Querengué. O Adolphino não seria ingênuo o suficiente para pedir que o pessoal não o zuasse muito. Afinal, despedida de solteiro rima com zuera. E das piores.
- Batom, rapazes!
Três amigos começaram a passar batom na cara do Adolphino. Mas não fizeram como nos chás de bebês em que a mulherada lambuza a amiga, eles passaram um batom por cima do outro de modo mais-ou-menos no contorno da boca (quem viu garante que a boca de Angelina Jolie parecia uma vareta perto da boca de Adolphino).
- Peruca!
- Sapato!
- Calcinha!
Chegou a hora esperada por todos – exceto pelo noivo – o vestido vermelho!
- Não, não! O vestido vermelho não! – amarrado, Adolphino gritava em vão. Enfiaram como puderam o escandaloso Versace vermelho no pobre homem.
- Alguém traga o espelho!
Sabe aqueles espelhos do-pé-à-cabeça? Então, o Adolphino ficou se olhando por exato oito minutos para sua imagem refletida.
- Eu marquei no relógio! Foram exatos oito minutos! – o Jenuário é quem marcou e fala isso toda vez que pedem para repetir a história.
O extraordinário foi que Adolphino começou a caminhar suavemente – tipo Gisele Bünchen sem dor-de-barriga – até a porta do Kiko’s bar.
- Adolphino, aonde você vai?
- Passear amigos, passear! Quero que todos me vejam!
Pois é, não teve casamento, pelo menos não com a Amanda. Até hoje ele usa o Versace vermelho. Isso quando não usa o roxo, o preto ou o lilás (dizem as más línguas que ele tem um cor-de-rosa, mas que só usa para os íntimos). Adolphino não existe mais, apenas Penélope. Sim, Adolphino Pereira Albuquerque Mendes Correa hoje é Penélope Mais Que Tudo! Desfila pelas ruas de Querengué com glamour e simpatia (só nas férias, pois viaja mundo afora o resto do ano). Dizem as más línguas (as mesmas que falam sobre o vestido cor-de-rosa) que vai se candidatar. Decidiu isso quando ouviu que a Fernanda Somaggio (aquela ex-secretária do Marcos Valério) estava estudando propostas de partidos para sair como candidata a deputada:
- Se ela pode, meu bem, eu também posso!
Só em Querengué!
Todos já tinham chegado ao Kiko’s Bar, inclusive o noivo. Este, é bom detalhar: tremia como cachorro em dia de banho, Cebolinha perto da Mônica, aluno em dia de prova, empregado na primeira semana de trabalho. Enfim, estava com muito medo e, diga-se de passagem, com razão. Seus amigos (da onça) preparavam essa despedida de solteiro há anos, pois ele era o último da turma a se casar.
- Ô pessoal, não vai me zuar muito!
Fora essa frase que o Jenuário usara na despedida de solteiro dele. O pessoal – Adolphino estava no meio – fizeram o pobre do Jenuário andar em cima da caminhonete com shortinho de lycra e blusinha de lã. Saiu até na Folha de Querengué. O Adolphino não seria ingênuo o suficiente para pedir que o pessoal não o zuasse muito. Afinal, despedida de solteiro rima com zuera. E das piores.
- Batom, rapazes!
Três amigos começaram a passar batom na cara do Adolphino. Mas não fizeram como nos chás de bebês em que a mulherada lambuza a amiga, eles passaram um batom por cima do outro de modo mais-ou-menos no contorno da boca (quem viu garante que a boca de Angelina Jolie parecia uma vareta perto da boca de Adolphino).
- Peruca!
- Sapato!
- Calcinha!
Chegou a hora esperada por todos – exceto pelo noivo – o vestido vermelho!
- Não, não! O vestido vermelho não! – amarrado, Adolphino gritava em vão. Enfiaram como puderam o escandaloso Versace vermelho no pobre homem.
- Alguém traga o espelho!
Sabe aqueles espelhos do-pé-à-cabeça? Então, o Adolphino ficou se olhando por exato oito minutos para sua imagem refletida.
- Eu marquei no relógio! Foram exatos oito minutos! – o Jenuário é quem marcou e fala isso toda vez que pedem para repetir a história.
O extraordinário foi que Adolphino começou a caminhar suavemente – tipo Gisele Bünchen sem dor-de-barriga – até a porta do Kiko’s bar.
- Adolphino, aonde você vai?
- Passear amigos, passear! Quero que todos me vejam!
Pois é, não teve casamento, pelo menos não com a Amanda. Até hoje ele usa o Versace vermelho. Isso quando não usa o roxo, o preto ou o lilás (dizem as más línguas que ele tem um cor-de-rosa, mas que só usa para os íntimos). Adolphino não existe mais, apenas Penélope. Sim, Adolphino Pereira Albuquerque Mendes Correa hoje é Penélope Mais Que Tudo! Desfila pelas ruas de Querengué com glamour e simpatia (só nas férias, pois viaja mundo afora o resto do ano). Dizem as más línguas (as mesmas que falam sobre o vestido cor-de-rosa) que vai se candidatar. Decidiu isso quando ouviu que a Fernanda Somaggio (aquela ex-secretária do Marcos Valério) estava estudando propostas de partidos para sair como candidata a deputada:
- Se ela pode, meu bem, eu também posso!
Só em Querengué!
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