Um novo ano
Todo início de ano é parecido: propostas de mudanças, análises do que passou, percepções sobre o que há por vir. Emagrecer “X” quilos, entrar na academia, parar de fumar, procurar um novo emprego, encontrar um amor... A cada novo ano a lista se atualiza (ou, pior, se repete e, ainda por cima, aumenta!). Também tiramos um momento para observar o ano que passou, ver o que deu certo e vamos repetir, esmiuçar o que deu errado até descobrir onde está o erro para não repetir, prestar atenção nas coisas que aconteceram o ano passado e que vão continuar acontecendo no ano novo... Quem nunca se pegou pensando nisso, atire a primeira pedra.
E no campo internacional? O que esperamos de 2014? O que aconteceu em 2013 que vale a pena prestar atenção? Para onde vai o ano novo? O que aconteceu de importante em 2013? Os EUA reelegeram o “presidente da mudança”, Obama, e o ano, por lá, já começa com o fantasma do abismo fiscal. Tivemos a primeira renúncia de um Papa desde 1294 (Clementino, o Papa em questão, sequer chegou a tomar posse) e a eleição do primeiro Papa do continente americano, o argentino Jorge Mario Bergoglio - o Papa Francisco. Mostrando que o Papa pode ser argentino, mas Deus é brasileiro, a primeira viagem internacional do novo Chefe de Estado da Igreja Católica foi justamente para o Brasil.
O ano viu ainda a morte de diversas personalidades políticas: Hugo Chávez, Margareth Thatcher e Nelson Mandela; e a continuidade de um processo monárquico, com o nascimento do Príncipe George, bisneto da Rainha Elizabeth II. Como em anos anteriores, o “mundo árabe” está em plena ebulição: Eleições no Irã, e com grande novidade no campo político do país, pois o vencedor do pleito tinha plataformas como a crítica ao isolamento causado pelas ações extremistas de governos anteriores e a promoção da igualdade de gênero; há ainda um novo Golpe de Estado no Egito, depondo o governo de Mursi, pós-Primavera Árabe; e a guerra civil na Síria, que, apesar dos tratados de entrega das armas químicas utilizadas contra a população civil, ainda é um conflito bastante sangrento.
O ano de 2013 encerrou trazendo na mala um conteúdo bastante curioso: a constatação de que em pleno século XXI, cheio de novas opções de comunicação, de novos avanços da eletrônica e da engenharia, e até de desenvolvimento humano (em grande parte do planeta, pelo menos), na verdade, ainda não saímos muito do lugar: a espionagem internacional ainda tem grande força.
O ano que passou foi dominado, em suas questões internacionais, por um fantasma: a falta de privacidade de nossas mensagens, principalmente via internet. Telefones celulares, e-mails, facebook, ou qualquer outra atividade que possa compartilhar informações com alguém: a equipe de Obama pode estar observando. E isso vai desde um cidadão comum até chefes de Estado. Desde a publicação da existência do programa de espionagem, o PRISM, muito se discutiu sobre soberania e privacidade na internet.
O Oriente Médio em ebulição e a Casa Branca tendo acesso à praticamente todas as informações que circulam no mundo são, seguramente, questões que 2014 ganhou de herança. Seus desdobramentos ainda deverão mostrar-se por alguns anos. Infelizmente, a tendência é que o Oriente Médio ainda tenha períodos de grande violência por um bom tempo, uma vez que a instabilidade naquela região foi construída durante séculos. Quanto aos EUA, as ações de espionagem geraram protestos de Chefes de Estado e estremeceram algumas relações com os EUA. Também não é uma questão a ser resolvida rapidamente. Aguardemos novos acontecimentos e feliz 2014.