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Publicado: Quinta-feira, 5 de junho de 2008

Socorro: meus filhos não comem nada!!!

Vou analisar os aspectos práticos que venho observando nesses 32 anos de minha carreira, não esquecendo de tratar as patologias quando existem.
 
- Esse assunto reflete o estilo de vida atual. Todos os pais têm muita pressa e as crianças fazem parte dessa maratona desde a gestação.

- Os fetos já são submetidos aos mecanismos de estresses da mãe: muita preocupação, muita correria, muito nervosismo, muita ansiedade, etc.

- Na fase da amamentação as mães oferecem o seio materno, mas, já preocupadas como vai ser quando a licença terminar.

- A amamentação é interrompida bruscamente assim que termina a licença maternidade. Imagine o choque que o bebê sente recebendo de repente um bico de mamadeira e entrando em contato com pessoas totalmente desconhecidas, por melhor que seja a escolinha onde ficam.

- Recebem o alimento de pessoas estranhas. Para que o bebê coma mais rápido as papinhas são mais fluidificadas, os bebês engolem mais rápido e todos acham que eles estão comendo bem. As frutinhas que seriam melhor aproveitadas pelo organismo, se mastigadas com a boca utilizando a secreção salivar para a melhor assimilação, são dadas como sucos em mamadeiras.

- Após 1 ano de idade as mães continuam oferecendo entre 4 a 5 mamadeiras por dia incluindo de madrugada, pois, acham que tomando o leite, a criança está bem alimentada, de acordo com o conselho de nossas vovós. Imaginem vocês adultos tomando 5 copões de leite por dia! O apetite é ”bloqueado”, pois, os “nutrientes” do leite de vaca tornam-se “suficientes” e o centro da saciedade do cérebro diz “basta de alimentos”.

- Um fator muito importante a ser analisado na fase de 1 a 3 anos é, que a criança passa por um processo de desenvolvimento intelectual, psicológico e emocional e o metabolismo dela é naturalmente mais baixo, isto é, a criança não necessita de muita comida. Portanto, mamães, papais e vovós, comecem a oferecer o leite em copo (sem o canudo, é lógico), assim, a criança naturalmente vai aceitar menos leite e comer mais comidinha, ok?

- E aos 2 anos conseguiremos eliminar definitivamente as mamadeiras e os odontopediatras vão agradecer por isso, pois, a mamadeira (e a chupeta), é um dos principais responsáveis pelas irregularidades da dentição; na atualidade quase 100% das crianças usam o tal do “aparelhinho”.

- Muitas crianças que ficam com as babás são deixadas em frente da televisão para lhes facilitar o trabalho, inclusive na hora da refeição.

- Em primeiro lugar, a criança está comendo sob stress, pois, ao ficarem empolgadas com o que estão vendo, a adrenalina circula pelo organismo e a digestão “vai pro brejo”. E a criança nem sabe o que está comendo.

- Conforme a M.T.C. (Medicina Tradicional Chinesa) todos os órgãos e vísceras estão interconectados pelos meridianos de energia, então, vários sistemas do nosso organismo são prejudicados: visão, digestão, isto é, os olhos, estômago, fígado, vesícula biliar, baço, pâncreas, etc. Portanto, necessitamos de paz e tranqüilidade nas sagradas horas das refeições. Nada de broncas, cobranças ou discussões dos pais durante as refeições.

- Pela pressa do dia a dia onde a mamãe vai voltar ao trabalho após o almoço e os filhos precisam aproveitar a carona para ir à escola, ou, a van virá buscar, então, a comida é deixada nas panelas sobre o fogão. As mães ou as babás fazem o “P.F.” (prato feito) e apressam as crianças para comer.

- Sabemos que teríamos que mastigar pelo menos de 30 a 50 vezes cada bocado de alimento, mas, todos mastigam de 3 a 5 vezes. Eu andei pechinchando para 10 a 15 vezes para ajudar o pessoal, mesmo assim está muito difícil conseguir o tal objetivo.

- O fato de deixar a comida sobre o fogão, dentro das panelas, implica outro aspecto fisiológico muito importante. Quando o ser humano sente fome, o apetite é estimulado através dos cinco órgãos dos sentidos: olfato, visão, paladar, audição e tato. Quando a criança ouve o barulho na cozinha onde a mamãe está preparando os alimentos e o barulho dos talheres que estão sendo colocados à mesa, já começa o processo do apetite. O olfato capta o cheirinho gostoso da comida. Em seguida, olhando o que está sobre a mesa a criança começa a salivar (a glândula salivar foi estimulada), despertando a vontade de comer. A criança pequena até gosta de pegar a comida com a mãozinha. Só que, na prática diária, estas etapas estão ausentes, pois, as crianças não estão vendo aquela arte culinária sobre a mesa, e sim, um amontoado de comida num prato só. É óbvio, a criança diz que não quer comer, que não está com fome, não tem apetite, etc. É por este motivo que a comida japonesa ou chinesa apetecem tanto: são uma verdadeira arte culinária (exemplo do sushi e do yakissoba, respect
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