Publicado: Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Problemas Paulistanos 2.0
Viver em São Paulo é encontrar todos os dias os mais curiosos paradoxos. Como se diz em inglês, every single day. A maior frota de carros do País não consegue se movimentar com decência, a cidade mais rica tem centenas de moradores de ruas, as mais avançadas universidades públicas não comportam todos os interessados da “Res-publica”.
Agora, com essas chuvas do tipo semidilúvio, há um vasto material para se pensar a cidade. Parte da imprensa tem feito essa reflexão, mas isto ainda não é um hábito de todo mundo.
As águas do Bourbon me fizeram pensar sobre isso. Há algumas semanas, por exemplo, estreamos na capital uma sala de cinema Imax, com um som de última geração e uma tela gigante de nada menos que quatorze metros de altura por vinte e um de comprimento. A tecnologia era inédita no País e está no Shopping Bourbon, em Pompeia, o mesmíssimo que foi invadido há alguns dias por uma enchente. Uma nova tecnologia convive, dessa forma, com um velho problema.
Existe uma piadinha em relação ao computador dizendo que ele foi inventado para resolver problemas que não existiam antes dele. Quando chove, São Paulo quase não funciona. A urbanidade – ou ao menos a parte mais dolorida dela – fica visível, como uma fratura exposta que não tem cura imediata. Fomos nós, Urbanus sapiens, quem criamos os problemas que agora temos de resolver.
Sem planejamento, com excesso de consumo e desperdício, com desigualdade social e descaso humano, sem estrutura emocional nas famílias, com a educação de qualidade cada vez mais elitista. É assim infelizmente, que muitas cidades se tornam grandes. Imensas no tamanho, não na qualidade de vida.
Eu me considero apaixonado por São Paulo. Gosto até da parte teoricamente feia, dos cenários abandonados, das pichações e bagunças visuais. Mas reconheço que seria muito melhor crescermos com algum grau de planejamento, como fizeram Campo Grande (MS) e Curitiba (PR), só para citar duas capitais brasileiras.
Mesmo com tantos problemas – e me parecem que novos estão por vir – e situações que poderiam ser diferentes, a maior parte da população não vai abandonar a capital. Eu, inclusive, escolho ficar. E não é só porque aqui os roteiros tendem ao infinito, os salários são mais adequados, a diversidade é compreendida e as tecnologias chegam antes. O motivo para ficarmos, penso, é porque muitos alcançamos aquele real sentido do amor, aquele em que se enxerga o amante como ele realmente é e ainda assim se continua apaixonado.
Agora, com essas chuvas do tipo semidilúvio, há um vasto material para se pensar a cidade. Parte da imprensa tem feito essa reflexão, mas isto ainda não é um hábito de todo mundo.
As águas do Bourbon me fizeram pensar sobre isso. Há algumas semanas, por exemplo, estreamos na capital uma sala de cinema Imax, com um som de última geração e uma tela gigante de nada menos que quatorze metros de altura por vinte e um de comprimento. A tecnologia era inédita no País e está no Shopping Bourbon, em Pompeia, o mesmíssimo que foi invadido há alguns dias por uma enchente. Uma nova tecnologia convive, dessa forma, com um velho problema.
Existe uma piadinha em relação ao computador dizendo que ele foi inventado para resolver problemas que não existiam antes dele. Quando chove, São Paulo quase não funciona. A urbanidade – ou ao menos a parte mais dolorida dela – fica visível, como uma fratura exposta que não tem cura imediata. Fomos nós, Urbanus sapiens, quem criamos os problemas que agora temos de resolver.
Sem planejamento, com excesso de consumo e desperdício, com desigualdade social e descaso humano, sem estrutura emocional nas famílias, com a educação de qualidade cada vez mais elitista. É assim infelizmente, que muitas cidades se tornam grandes. Imensas no tamanho, não na qualidade de vida.
Eu me considero apaixonado por São Paulo. Gosto até da parte teoricamente feia, dos cenários abandonados, das pichações e bagunças visuais. Mas reconheço que seria muito melhor crescermos com algum grau de planejamento, como fizeram Campo Grande (MS) e Curitiba (PR), só para citar duas capitais brasileiras.
Mesmo com tantos problemas – e me parecem que novos estão por vir – e situações que poderiam ser diferentes, a maior parte da população não vai abandonar a capital. Eu, inclusive, escolho ficar. E não é só porque aqui os roteiros tendem ao infinito, os salários são mais adequados, a diversidade é compreendida e as tecnologias chegam antes. O motivo para ficarmos, penso, é porque muitos alcançamos aquele real sentido do amor, aquele em que se enxerga o amante como ele realmente é e ainda assim se continua apaixonado.
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