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Publicado: Quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Poemas e outras obscenidades

Diferença
Minha alma é diferente da sua
tem cheiro
cor
sabor
Ela fica linda suja

Só quem beija,
abraça,
cheira,
morde
sabe como é que é

Minha alma não cabe na boca do povo
na roupa do corpo
ela é
simples assim: ela é

Pra saber tem que abrir o lacre,
rasgar o embrulho,
descascar a pele

Poucos tiveram o sacrilégio de conhecer

Na minha
Tem uma senhora que mora na minha rua
Ela chora o marido que nunca teve
E lamenta eternamente o que a vida lhe deu

Nunca correu atrás do seu grande amor
Vive com essa dor
Nestes dias sem sabor
Horas com pouca cor
Grita, resmunga, silencia
E dorme
Sempre que pode, dorme
Se não mais pode, dorme

Triste a história da senhora que mora na minha rua

Não falo
Não quero lhe falar das coisas que aprendi nos livros
Nem dos filmes, livros e comidas
Não quero contar minha história sem rimas,
Meus casamentos sem filhas
Minhas estradas sem esquinas

Com você, prefiro um novo tudo
casa, comida e roupa pra lavar
É só assim que sei ser namorado
A gente se junta, nem precisa de casar

Pra você, quero construir uma casinha de janelas
tento cozinhar, te compro outras panelas
Senta logo aqui do meu lado
Esquece minhas besteiras, brigas, meu silêncio
os erros já são todos do passado

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