PLIM-PLIM! - Nossas crianças e nossos jovens não estão lendo!
Ahhh...
A verdade é que sonho com um mundo onde a Rede Globo não existe.
Tudo fica tão exato, certo, “em primeira mão” com as coisas que ela mostra.
(BAHHHH PARA ELA!!! Ela desanima-me...)
A Pedagogia, lamento informar, mas há tempos propõe a chamada “crise da leitura”.
Fala, discute, pesquisa, teoriza, lê, escreve, mas não fecha questões.
É muito complicado dizermos que as pessoas não lêem, lêem mal, são incapazes de ler.
Desconfio muito de tudo isso.
Poderão dizer que tudo se trata de testes aplicados por renomados educadores das melhores Universidades e daí eu rebaterei dizendo que... desconfio mais ainda.
Não existe lugar mais longe das crianças e jovens que a Universidade. Sinto muito.
Em 1o lugar: para que ler mesmo?
Ziraldo brincou certa vez que ler é ideologia do ocidente europeu de inverno.
País que tem praia e verão como o Brasil, o povo não precisa ler. A gente lê para se divertir. Não para mostrar para os outros que sabe. Da mesma forma que nadar.
Ziraldo é sábio.
Se eu trabalhasse na Globo faria uma pesquisa sobre o poder que o PLIM-PLIM ressoa na mente das pessoas.
Desvelaria a panos abertos a quantidade de dinheiro (que nem cabe na minha cabeça) que foi envolvida para desenvolver estratégias de manipulação por esta emissora.
Por que a Globo não usa de seu poder formativo para discutir profundamente a Educação ao invés de matar o Lineu? Deveria ser seu compromisso social, enquanto veículo de comunicação social aglutinador de opiniões. Por quê mesmo ela não faz isso? Se é obrigada a fazer? Não, não é. Se é função dela fazer? Bom, ela escolhe os compromissos que socialmente assume. Este, não.
Aliás, quem é o Lineu?
Aposto que a maioria de nós brasileiros, sabemos LER A NOVELA. Mérito da Globo.
(Porém: é bem mais fácil formar mentes alienadas que emancipadas...E a escola não dispõe de tantos aparatos como os rede-globistas.)
Com licença, não desviemo-nos do assunto: a culpa está é na escola, incapaz de formar leitores que leiam textos assim – simples, simples!
Quanto à Globo... Bem, ela ensina a ler o que ela quer: sabe motivar a leitura dos telespectadores muito bem.
Eu também faria uma pesquisa perguntando sobre a finalidade da escola na opinião dos pais.
Eu acho que os pais não estão confiando em nossas escolas. E acho que há professor de monte por aí que faz esta desconfiança ser merecida.
Queria que se baixasse um documento oficial neste país convidando o professor cansado e que não quer trabalhar, que não mais está apaixonado pelas crianças e jovens ou pelo saber a ir para um SPA DE RENASCIMENTO DE PROFESSORES.
A Globo poderia patrocinar. Ela faria um bem enorme para a Educação do Brasil.
Senhores pais, sei muito pouco sobre ensinar.
Quando me perguntaram sobre o que o Fantástico mostrou e, agora, sobre o Jornal Nacional, eu não soube responder: eu estava lendo outras coisas nestes momentos.
O que eu sei eu falei e volto a falar: é preciso mais amor para com a escola e os nossos professores. Quem ama, confia, aposta, cria. O amor liberta.
Às nossas escolas e a nossos professores, pergunto: estamos despertando este amor que faz pais e alunos terem fé no projeto de formação que abraçamos?
À sociedade, me posiciono: é preciso que exijamos de nossos governos um sistema de ensino melhor. E ele só virá com a prioridade da Educação nos programas do Governo e com a valorização objetiva do Magistério nas políticas públicas que formam e remuneram o professor.
Enquanto isso não acontecer, o Magistério será sendo visto como missão, vocação, atividade heróica, de “professoras boazinhas e pacientes”, como atividade de bico.
E a gente perguntará o que anda acontecendo com nossas crianças que não lêem.
E também quem matou o Lineu, claro.
Contudo, acho, de fato, que ensinar certas coisas qualquer um de nós fazemos.
O problema, pai, mãe, está no COMO e no O QUÊ seu filho está aprendendo na escola.
Ensinar que “B” com “A” dá “BA” a gente aprende.
Ensinar que “B” com “A” dá “poesia e música” e tanta coisa gostosa de dar risada e aprender com o outro é diferente. É isso que a gente quer.
Mas você acredita nisso ou quer da escola o “B” com “A”?
Ah, sim. Antes que me esqueça. O Vestibular... É, é sim: é mais “B com A que dá BA” que “B com A que dá música e poesia”. DAÍ É QUESTÃO DE ESCOLHA. Toda da família.
Rubem Alves me diz nessas horas: diploma é ilusão. Assistam ao filme Sociedade dos Poetas Mortos.
Por que a gente se preocupa tanto com o FIM e se esquece da TRAVESSIA?
Imagino-me uma criança ou um jovem nos dias de hoje.
Tanta coisa para ler.
Eu não sei ler tudo o que sabem.
Puxa, se eu tivesse o poder, faria uma reportagem na Globo mostrando tudo que eles sabem ler.
(Sabem de “saber” mesmo!)
Revistinhas, videogames, cards, pixações, bilhetinhos, imagens, gestos, cartazes, convites, músicas, blogs... Temos que convir: é deveras difícil centrar os "baixinhos" nos textos de antigamente. Mas que lêem, lêem.
O duro é que a gente nem sabe ao certo o mundo em que está, nem o que quer: que tipo de leitor?
Resposta: “O que seleciona informações, compreende criticamente, se posiciona criativamente diante do texto, o que usufrui de sua leitura de mundo para exercer uma prática mais cidadã.”
(Aplausos).
Mas: quem matou o Lineu mesmo???
Tudo conflui para um leitor alienado e a gente quer o emancipado...
A Globo também, tanto que até denunciou a caoticidade do nosso ensino... A Globo enxerga as coisas.
Não foi o Fantástico que mostrou, nem o Jornal Nacional.
A Pedagogia não dispõe de meios tão eficazes de divulgação, mas há tempos grita esta realidade.
Problema da escola?
Problema da família?
Problema da criança?
Problema do Governo?
Problema da Educação?
Eu acho, gente, que é problema todo nosso, de cada dia, menos das crianças e dos jovens.
Despertar o ser humano para o entendimento do texto e o prazer nele não é tarefa que a gente, na escola, consegue como passe de mágica. Demanda tempo, trabalho, zelo, exemplo e muita simplicidade.
Coisa de hoje? Não, de sempre.
Funciona mais ou menos assim: “Eu gosto de ler e sei ler; vou lhe ensinar.”
Que bom que falei antes que a Globo. Mas atesto: quem disse foi