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Publicado: Sábado, 23 de janeiro de 2010

Personalidade e carisma

Ainda praticamente num começo de administração do país mais poderoso do mundo (ainda é?), a maior economia do globo, eis que o jovem Barack Obama esbarra em dificuldades. Problemas a repercutir na evidente queda de sua popularidade.

Mas não foi outro dia mesmo que uma população lotou todos os espaços possíveis ao redor da Casa Branca, para recepcionar o presidente recém eleito, na sua posse?

Essa, uma questão vencida, desde os tempos de Jesus Cristo, que viu a apoteose do Hosana se transmudar logo depois no infame e humilhante “Crucifica-o”? O povo – aí todo ele – também qual camaleão, muda da cor de povo como tal para a de populacho.

O que é certo é que o povo, seja como for, não prescinde de liderança. Necessita de líderes e de comando; precisa deles, a contraponto de se perder e não achar mais o rumo.

Nomes carismáticos, onde os há, hoje?

Olhe-se para este país, para os continentes, para que direção ou distância, que nomes se sobressaem?

Evidentemente que inteligências privilegiadas continuam a nascer, estão por aí; cientistas, professores, economistas, vultos das artes em todas as áreas. Quem, contudo, que arraste pessoas?

Nesse panorama é que se percebe que a atribuição do Prêmio Nobel, em determinados momentos, - na ciência nem tanto - acaba por premiar talvez com alguma precipitação. Que o diga, citado de propósito lá em cima. Efetivamente, sob que aspecto lhe caiu o regalo no colo? Ao mandar mais tropas para as eternas escaramuças que sua nação cria na busca ou manutenção de domínios, sua decisão é no mínimo estranha, se não contraditória. Será que entre a necessidade de minorar os conflitos sem contudo descuidar da guarda e proteção de interesses legítimos, não haveria alguma medida menos agressiva?

Essa lembrança de possível dúvida no acerto da premiação, ficou exacerbada agora, quando se sugeriu levantar a causa da concessão do Premio Nobel da Paz, na modalidade póstuma, para a super dama da caridade, Zilda Arns. Tanto ela como outros poderiam ser lembrados.

O valor do prêmio que na ordem pessoal e particular é alentado, dilui-se quando se conjetura de com ele proporcionar bem estar coletivo a necessitados. Vira um pingo de água.

Mesmo assim, quem duvidaria que a doutora Zilda Arns o empregaria de pronto no bem comum dos desvalidos da sorte? Sua conduta, sua pessoa, seu histórico de vida, conduzem tranquilamente a um raciocínio dessa ordem.

De qualquer maneira, o jovem condutor dos americanos do Norte, é de boa vontade insuspeita e, se bem assessorado, pode ainda se recompor. Sequer se lhe pode atribuir culpa na gigantesca obra de recuperação que enfrenta.

Quanto à mentora da modelar política de amparo à criança, sua obra vai continuar. Ela soube comandar sem se impor e com isso criou equipes de voluntariado, capazes de assegurar perenidade no sistema que fora implantar também em terras outras. Colhida naquela surpresa de que Deus permite, conquanto penosa e dolorida, mas reservada sem dúvida a seres especiais, na conformidade dos insondáveis desígnios de um dia se buscar aqueles já amadurecidos para a glória eterna.

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