Publicado: Sábado, 30 de dezembro de 2006
Oh! Que delícia de guerra ( parte IV)
Continuando o desenvolvimento de nossa temática, vamos prosseguir.
Parte IV
Já que estamos escrevendo sobre insanidades, não podemos deixar aqui de comentar sobre os fatos que resultaram na eclosão da Segunda Grande Guerra, e os sessenta milhões de almas que foram para outras plagas, nesse período, a maioria, inclusive, civis. Milhares de páginas já foram escritas a respeito, pelos mais prestigiosos historiadores, analistas e outros entendidos, mas nunca será demais debatermos a respeito. Vale lembrar que os acontecimentos decorridos há pouco mais de cinqüenta anos, são em termos do grande relógio da história, de ocorrência há pouco mais de dois minutos, se tanto.
Nunca antes tantos povos e tantos armamentos foram empregados em busca de uma conquista que se diziam, territoriais.
Se, por exemplo, nos detivermos na análise dos principais generais que serviram sob o comando de Hitler e seus asseclas, alguns aspectos nos saltam à vista. Em sua maioria, constituíam-se de militares, já veteranos da Primeira Grande Guerra, de famílias, tradicionalmente militares ou então de pessoas sem grande currículo anteriores, mas que, no campo, provaram sagacidade e habilidade.
É interessante identificarmos que, na maioria das armas, ao inicio dos combates, a Alemanha era a que, justamente, detinha menor poder bélico em relação aos aliados, seja na marinha, aeronáutica ou exército. Todavia, de “trouxas”, não tinham nada. Foram os alemães que empregaram primeiramente, os carros blindados como arma de ataque, o uso de caças aéreos em conjunto, como também os submarinos. Generais como Guderian, Kesselring, Galland, Reader, Doenitz, Rundstedt e Rommel, dentre outros, eram sagazes, hábeis e temidos tanto pelos adversários como pelos seus comandados.
Certo é que o conflito, no início, não teve uma dimensão mundial. Mas a partir da invasão da Rússia, a ninguém coube mais alegar que não se sabia onde tudo ia desaguar.
Assim sendo, já se antevendo que a conquista alemã estava fadada ao fracasso, se era certo que Hitler entendia de táticas de guerra tanto quanto um pasteleiro entende de teoria quântica (aquelas fotos dele apontando mapas e tropas são das mais engraçadas de todos os tempos), porque, em nome de Deus, os generais alemães não deram um fim naquilo antes de porem tudo a perder e sacrificarem, inutilmente, a nação e milhões de pessoas, e, simplesmente não meteram uma bala na cabeça do tal Fuher e os diabos que lhe cercavam?
É certo que, desde 1938, sabiam para onde estavam indo, no entanto, hesitaram durante seis anos antes de agirem e, quando o fizeram, já era muito tarde, além do que o atentado resultou num retumbante fracasso.
Porque, então, se submeteram a tantas ordens estúpidas e inúteis?
Para responder a tal difícil argüição, talvez, possamos empregar duas vertentes igualmente relevantes.
A primeira, a mais óbvia é que militares são assim mesmo, e, no fundo, são treinados e formados para guerrear mesmo. Amam sua arma e, por extensão, o uso dela. Há, também, a questão do cumprimento militar, bandeira sob a qual, muitos assassinos e genocidas se escondem. A velha questão de que uma ordem não pode ser questionada, apenas cumprida.
Machado de Assis, num maravilhoso conto, muito bem abordou o assunto, como poucos.
A alegação é a de que mesmo que indevida, mesmo que seja contrária aos princípios humanitários, mesmo de consciência, a ordem não pode ser questionada, porque, afinal, assim é a hierarquia militar. Seria mesmo? A obediência pura e cega, como apregoa o rei Creonte, na tragédia de Sófocles, Antígona, é o dever de qualquer mortal?
Ao longo de nossas vidas, quantas vezes, desobedecemos a instruções, normais, leis e regulamentos, sob as mais variadas alegações e, no entanto quando as pessoas são chamadas a responder aos ditos crimes de guerra, se utilizam, descaradamente desta fachada.
Talvez, porque, no fundo, o sentido belicoso delas é o que de maior reside na profundeza de suas entranhas, como diria um mágico romano.
A outra vertente, mais delicada e de difícil compreensão para a grande maioria, esteja na chamada guerra mágica.
Sim, caro leitor, por mais incrível que possa parecer, a magia “imperou” nos princípios doutrinários do tal Fuher e os mentecaptos que lhe seguiram.
Daremos esclarecimento à tão fascinante tópico, no próximo artigo.
Então, obrigado e até lá!
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