Publicado: Quinta-feira, 26 de março de 2009
O regulamento que veio e foi embora
A temporada de 2009 da Fórmula 1 começa no próximo fim de semana e as grandes notícias dos últimos dias foram sobre o regulamento. A Federação Internacional de Automobilismo propôs alterações, que acabaram vetadas pelas equipes. A mais controversa das medidas citava que o título seria definido pelo número de vitórias. Quem vencesse mais vezes no ano seria o campeão, sem depender do número de pontos. Esse regulamento recebeu, entre outros apelidos, o de “o vencedor leva tudo”.
Valorizar as vitórias é importante, mas não desse jeito. A situação proposta poderia levar a absurdos, como o campeão terminando com muitos pontos a menos que o vice. Provavelmente também as equipes começariam a eleger um primeiro piloto muito cedo. Basta supor um caso em que, em cinco corridas, um piloto ganhe três e seu companheiro nenhuma. Em quem o time apostaria as fichas no restante do ano??
Para que a tal valorização das vitórias aconteça, a coisa é simples: basta que a diferença de pontos entre o vencedor e o 2º colocado numa corrida seja significativa. Hoje são dez para um e oito para outro. Muito se comentou, na virada do ano, sobre uma proposta de dar 12 pontos ao primeiro colocado. Pronto!! Estaria tudo resolvido!! Ou então é só voltar no sistema antigo, com dez pontos ao vencedor e seis para o 2º.
Outra ideia, que premia o maior vencedor do campeonato, sem aberrações como simplesmente lhe entregar o título: para aquele que mais vencer, um prêmio em pontos, um bônus. O detentor do maior número de vitórias ganharia “x” pontos no final da temporada. Seis pontos, que tal?? Talvez até um pouco mais... Seis seria interessante, pois é um número que dá para dividir em dois ou em três, caso mais de um piloto apareça como o maior vencedor do ano.
Outro problema das novas medidas foi uma série de limitações nos testes entre as corridas. A postura de diminuir os testes é praticamente uma unanimidade, pois é uma forma de conter os altos custos da categoria, mas a nova regra não poderia mesmo ter sido imposta às vésperas do início da temporada! Isso seria uma injustiça com equipes que por algum motivo não estejam tão bem agora, mas que contam com um planejamento de desenvolvimento do carro durante o ano.
A chiadeira foi geral. Pilotos, chefes de equipe, patrocinadores, todos foram contrários e a FIA voltou atrás. Entretanto, a entidade deixou claro que planeja instituir o regulamento novo em 2010. Até lá, mais discussão.
Papo furado
Um papinho muito falado na última semana foi que alguns títulos teriam mudado de mãos com a nova regra. Besteira!! Cada um correu com o regulamento da época, igual para todos e cada piloto sabia o que deveria ou não fazer para conquistar o título. Exemplo: com o regulamento do “vencedor leva tudo”, o campeão de 1982 seria o Didier Pironi ao invés do Keke Rosberg. Será?? Poderiam ter perguntado ao Keke antes de falarem isso.
Pironi terminou o campeonato com duas e Keke com uma (!!!) vitória (isso mesmo, a temporada foi tão disputada que o maior vencedor teve só duas vitórias). O que ninguém escreveu é que Rosberg, na última corrida, chegou em 5º, mais até do que ele precisava!! Correu contrariando seu estilo, só para levar o carro nos pontos e ficar com o caneco. Ora, é lógico que se ele soubesse que precisava daquela vitória, sua corrida seria outra.
Em 83, depois de dominar o GP da África do Sul e ver Alain Prost abandonar, Nelson Piquet não ganhou por que preferiu levantar o pé. Abdicando da vitória, mas poupando o carro, cruzou em 3º e ganhou o título. Agora vem gente dizer que o Prost seria o campeão, com uma vitória a mais. Essa não!!
Regulamentos diferentes
O regulamento da F1, no quesito pontos atribuídos aos pilotos, mudou algumas vezes. Na década de 50, a categoria começou assim: oito pontos para o primeiro colocado; seis para o segundo; quatro para o terceiro; três para o quarto; dois para o quinto colocado e um ponto para o piloto que marcasse a volta mais rápida da prova.
Em 1960, o 6º colocado ficou ganhando um ponto e acabaram com aquele pela volta mais rápida. No ano seguinte, o vencedor passou a ganhar nove pontos. A pontuação 9-6-4-3-2-1 foi a que mais tempo durou, praticamente três décadas.
Em 91, uma mudança: mais um ponto para o vencedor. E em 2003 começou a vigorar o que temos hoje em dia, com a pontuação chegando até o oitavo colocado, na sequencia 10-8-6-5-4-3-2-1.
Ufa!! Com o estranho regulamento do “vencedor leva tudo” deixado por hora de lado, é torcer para que 2009 seja emocionante!! No fim de semana que vem a história recomeça!! Boa temporada para todos nós!!
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