O melhor presente do mundo!
Está chegando o Dia das Mães e, com ele, a preocupação com o que comprar para presentear as mães... Convido o leitor para refletir comigo, que falo como mãe e como filha, além de educadora. Como tem sido nosso relacionamento com nossas mães? Bom? Mau? Mas, o que é “bom” ou “mau”? Vejam, um bom relacionamento muitas vezes revela uma relação superficial... E, às vezes, o que pode ser considerado como “mau” é, na verdade, muito bom...
Confuso, não? Sim, parece confuso porque não estamos muito habituados a refletir sobre nossas ações. Vejamos: Ser “bonzinho” com a mamãe é unicamente servir-se dela, como a organizadora e mantenedora da casa? Dizer que a comida está gostosa ou que a roupa está bem limpinha é o retrato do filho bonzinho?
Esse filho “bonzinho” pode, de repente, revelar-se um tirano quando coloca milhões de obstáculos para que a mãe saia de casa para estudar, divertir-se ou trabalhar, por exemplo... E o pior é que a própria mãe sente-se muitas vezes culpada por não estar o tempo todo servindo a seus filhos e marido... Então, ela simplesmente se anula e não sai de casa para satisfazer suas próprias vontades, sejam elas nos estudos, no trabalho, ou simplesmente na diversão.
Há dois meses atrás foi o Dia da Mulher e, no meu ponto de vista, não há dia mais machista do que esse! Por que termos um dia específico para comemorar? Nosso espaço na sociedade é o mesmo e não tenho notícias de haver o Dia do Homem... mas este é um assunto para outra hora. Na verdade, meu intuito é questionar filhos e maridos sobre o respeito que têm tido (ou não) para com as vontades, desejos, ou indisposições - sim, porque a mãe não costuma ter muito direito de ficar adoentada.
É claro que mãe é mãe e que, como cada membro da família, desempenha seu papel — uns trabalham, outros estudam, outros cuidam do bem estar da família... mas isto não significa que por causa de desempenhar um determinado papel no grupo familiar a pessoa não possa desempenhar outros. Vejamos: o pai e os filhos, além de trabalharem e estudarem também se divertem, fazem seus cursos, têm amigos. E a mãe? Será que há, em casa, o respeito para que se abra espaço para a mãe ser também uma mulher realizada, feliz, atualizada e satisfeita consigo mesma?
De quê adianta entregar flores, presentes, almoçar fora, no Dia da Mulher ou no Dia das Mães, se no dia-a-dia o que acontece é uma profunda falta de respeito para com o ser humano - mulher / mãe? Pura demagogia!
O melhor presente do mundo para qualquer pessoa é o respeito! É colocarmos a mão na consciência e vermos o quanto impedimos as mães de participarem ativamente da sociedade do lado de fora das paredes da casa; o quanto desestimulamos as mães a estudarem, a trabalharem, a fazerem suas reuniões com amigas... Às vezes, aquele considerado como “mau filho” carrega o título unicamente por querer ver sua mãe melhor e mais participante, mais atualizada, com seu próprio espaço conquistado por direito, por não querer enxergar sua mãe somente como uma organizadora da vida familiar...