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Publicado: Segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O grito dos excluídos

Depois de dois textos que focalizavam os EUA, é hora de mudar. Vim aqui falar de um assunto um pouco mais sangrento, um pouco mais triste, mas que serve (e bem) para a reflexão. Trata-se da disputa por um território que não é reconhecido internacionalmente como um país, nem mesmo como parte de um país soberano, mas como parte do lar de um povo que busca com afinco seu reconhecimento. Do outro lado, um povo que clamava há séculos por uma pátria, e que agora luta por segurança.

Uma disputa que remonta ao início da segunda metade do século XX, logo após a II Guerra Mundial, quando os aliados conseguiram destruir o regime insano de Adolf Hitler e, ao procurar anular todo o mal que os nazistas fizeram ao povo judeu, criando-lhes uma pátria, o Ocidente iniciou uma sangrenta guerra entre dois povos que dizem ter direito a essa terra: israelenses e palestinos.

A atualidade dessa disputa atingiu um ponto violento entre os últimos dias de dezembro de 2008 e os primeiros vinte dias do novo ano, culminou com mais de mil mortes entre os dois lados, mas as maiores perdas estão entre os palestinos. Dizia-se tratar de uma operação com precisão cirúrgica, da mesma forma que foram os ataques norte-americanos ao Afeganistão e ao Iraque, em que escolas, hospitais e igrejas viravam alvos dos mísseis teleguiados, com a desculpa de que estariam alojando membros de alguma organização terrorista, sem se preocupar com as conseqüências dessas ações para a paz.

Os ataques terroristas nada mais são que o grito de povos excluídos, o pedido desesperado do fim da exploração, da miséria a que são impostos para que o primeiro mundo tenha abundância. E os ataques de 11 de setembro de 2001 as Torres Gêmeas foram um marco desse chamado, ao qual seguiram-se muitos outros, impossíveis de serem ignorados.

Um conflito não resolverá o problema, ao contrário, aumenta o mal que o alimenta. Tampouco o Brasil pode fazer algo, como ajudar nas negociações de paz, já que o posicionamento brasileiro não é de neutralidade. O governo, ao privilegiar os países em desenvolvimento, alinha-se também com os árabes, com os palestinos. Mas e o povo brasileiro? Por que não pode juntar-se ao povo francês, ao italiano, ao alemão e outros povos em uma manifestação pela paz, contra a violência? Por que não pode deixar de ver seus próprios problemas e ajudar na promoção da igualdade?

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