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Publicado: Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

O Bom e o Certo

Carnaval inflama o samba-enredo da AIDS, uma estória que se repete há mais de uma década, com um discurso afinado pros ouvidos mais atentos, despidos da fantasia do preconceito.
As campanhas apontam no estado de São Paulo uma redução importante nos indicadores de mortalidade e incidência da doença. Nos últimos 10 anos, a taxa de incidência diminuiu quase 2 vezes e a de mortalidade, 3 vezes.
É uma luta continua contra uma epidemia que atravessou esse milênio, mas as campanhas não dão trégua.
O bom dessa continuidade é que existe uma mobilização social e da mídia com foco na informação correta em busca do direito à saúde.
Vale lembrar que a principal categoria de transmissão é a sexual, mais da metade dos casos em heterossexuais. Então, foco na camisinha.
Ouvimos muito que sexo com camisinha não é bom, apesar da maioria achar que é certo. Bom e certo são coisas diferentes, nem sempre o que é bom é certo e vice versa, mas são duas palavras que não devemos banalizar no nosso dia a dia, a combinação de coisas boas e de coisas certas muda muita realidade.
São quase 140 mil casos notificados no estado de São Paulo, com proporção de dois homens para uma mulher. Não há mais fronteiras ou rótulos identificáveis. É um problema de todos.
No ranking estadual (mais de 500 municípios), Sorocaba ocupa a 9ª posição, Jundiaí a 16ª; Itu é a 40ª e Indaiatuba ,81ª.
O foco na informação tem que levar todos a pelo menos uma reflexão: essa é uma doença evitável, mas ainda é uma epidemia.
Existem hoje passos importantes como a política medicamentosa para o doente HIV/AIDS tutelada com muita eficiência e inclusão pelo poder público. Existe a importante profilaxia no pré-natal das gestantes HIV+, diminuindo também a transmissão vertical e reduzindo a notificação de crianças menores de 4 anos. Existe uma rede internacional de pesquisa introduzindo tratamentos melhores e mudando continuamente o rótulo de uma doença letal para uma doença crônica.
Tem muita gente fazendo coisas incríveis, boas e certas.
Faça sua parte. Brinque com segurança, use camisinha sempre.
Esqueça fantasias morais e cerceadoras de comportamento vinculando essa doença a uma cegueira voluntária em prol de rótulos e não de relações.
É certo usar a camisinha. É bom ser livre e bem informado.

Participe dessa idéia.

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