O Big Brother da vida real
Todos nós temos uma ou outra coisa que não suportamos. Ou várias coisas, dependendo do caso e da pessoa. No meu caso, uma das coisas que não suporto é a hipocrisia. E por isso eu digo que: assisto e acompanho o Big Brother Brasil e ponto!
É incrível vermos nas redes sociais as manifestações de grande parte das pessoas falando mal do programa, mas aposto que uma boa porcentagem destas mesmas pessoas dão pelo menos “uma espiadinha” no que está ocorrendo dentro da casa. Por isso a audiência existe. Bem, não quero aqui ser a favor ou contra quem assiste ou não, ou ainda, ser favorável ou contrário ao programa e sua direção.
Embora eu assiste o programa, não sou um fanático, do tipo de assinar o programa em Pay Perview, ou ainda, de ficar sem dormir para acompanhar uma prova de resistência ou uma festa. Eu assisto e acompanho até mesmo para poder criticar e falar mal com propriedade de causa. Mas não é esse meu objetivo aqui.
A questão que eu quero chegar é que possamos refletir o quanto vivemos em um grande Big Brother Real.
As atitudes que ocorrem dentro da casa, são as mesmas que muitas pessoas são capazes de fazer fora dela, porém, em uma escala menor de participação. Se pensarmos apenas em Brasil, temos 16 pessoas dentro de um programa de televisão representando 190 milhões de brasileiros em suas mais diversas situações, estilos e personalidades. Há muito de cada brasileiro em cada um dos participantes.
Ou será que ninguém nunca sentiu vontade de eliminar aquele colega de trabalho que está fazendo mais sucesso perante o patrão? Ou ainda, qual jovem moça não tenha medido dos pés a cabeça outra menina aparentemente mais bela e sentiu vontade de empurrá-la na primeira poça de lama que encontrasse, como acidente, é claro! E ainda se fazer de inocente dizendo: “desculpa, foi sem querer”!?
Todos os participantes sabem que estão em um jogo. E para vencerem este jogo, pela quantia de dinheiro oferecida, vale tudo (ou quase tudo!). Tal como no jogo da vida real. Vale se fazer de coitadinho e chorar pelos cantos. Vale se unir em grupo, combinar e manipular situações, tudo para se proteger e ao final, “salve-se quem puder”. Vale se envolver em um relacionamento apenas para dar credibilidade à masculinidade. Vale se embebedar até cair para mostrar que é forte ou que é social. Enfim, parece ou não com nosso Big Brother da vida real?
E para conquistar as lideranças, que poucas vezes nos são oferecidas, temos que vencer obstáculos muito maiores que os vistos na TV, ou seja, temos que constantemente ser o mais inteligente, o mais rápido, o mais forte, e ainda, por diversas vezes o mais esperto para podermos levar alguma vantagem perante nossos concorrentes.
Estamos sempre em constantes paredões. Sob o fardo do julgamento de outras pessoas sobre nosso comportamento e a espera de um apontamento sobre nossas falhas.
E se não tivermos alguém que se intitule como um anjo e possa nos imunizar de um paredão proposto pela sociedade, estaremos sempre sujeitos a uma eliminação precoce e fadados a exclusão dos nossos próprios sonhos. Mas é melhor não esperar por esse anjo, pois ele pode não aparecer. E sendo assim, vamos nos agarrar aquele famoso ditado: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
Em tempo: Não vou comentar sobre os polêmicos assuntos ocorridos dentro da casa nesta temporada do programa. Mas gostaria de dizer: tomara que o programa tenha ajudado o nosso idioma e que as pessoas parem de “estrupar” a língua portuguesa. Acho que deu pra entender que o correto é “estupro”, né?
Visitem: www.juveitu.blogspot.com