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Publicado: Quarta-feira, 29 de julho de 2009

O acidente de Massa e outros

O acidente de Felipe Massa na última corrida assustou!! A princípio pareceu ser uma batida sem maiores consequências. Depois, temeu-se pelas pernas do piloto já que seu carro bateu de frente. Finalmente, as imagens mostraram tudo. Uma mola acertou o capacete do piloto, que perdeu os sentidos, e seu carro seguiu em frente até parar na barreira de pneus.
 
Um acontecimento infeliz, onde Massa estava no lugar errado, na hora errada. A mola poderia ter ido parar em qualquer lugar, mas desgraçadamente foi encontrar o brasileiro.
 
Uma reflexão, no entanto, dá conta que Felipe teve sorte no episódio, uma vez que por alguns centímetros, a mola poderia ter danificado seriamente seu olho. E após perder os sentidos e bater de modo frontal, o piloto tem de ficar contente por não ter quebrado nada.
 
O melhor mesmo é que o brasileiro apresentou melhoras em cada dia!!! Fica a torcida e o pensamento positivo para que ele esteja logo de volta ás pistas!!
 
No tocante á segurança da F-1, é exagero dizer que ela precisa ser repensada. Já se vão mais de 15 anos sem nenhuma morte e o próprio acidente da Hungria dá mostras da segurança atual: seu capacete do Felipe resistiu e o protegeu! Além disso, a posição dos pilotos, que hoje ficam quase escondidos nos carros, foi importante, pois se a cabeça de Massa estive um palmo mais exposta, a mola poderia ter atingido seu pescoço!!
 
Seria necessário (e a FIA não fez) uma investigação em cima da atitude da BrawnGP no carro de Barrichello, do qual a mola se soltou.
 
Segundo Rubinho, a equipe disse que a mola começou a se soltar de manhã!! E aí foi se soltando até pular para fora e quase causar uma tragédia.
 
Ora, como pode isso?? Não era para terem recolhido o carro antes que a mola escapasse de vez??
 
Os cartolas puniram a Renault, impedindo-a de disputar a próxima corrida, por que uma roda mal apertada saiu do carro de Alonso, mas nem questionaram a BrawnGP.
 
OUTROS ACIDENTES
 
Provavelmente a punição em cima da Renault se deu por causa da lembrança da fatalidade ocorrida dias antes do GP da Hungria, quando o jovem Henry Surtees (filho de John Surtees, tema da última coluna) morreu depois de ter sua cabeça atingida por uma roda desprendida de outro carro, em uma prova de Fórmula 2.
 
Na Fórmula 1, mais pilotos sofreram acidentes por causa de objetos não pertencentes aos seus carros.
 
No GP da Itália de 95, Gerhard Berger não completou a prova pois a câmera do carro de Alesi (seu companheiro na Ferrari) se soltou e acertou o seu automóvel, danificando a suspensão dianteira.
 
Também na Itália, em 78, na tragédia que tirou a vida de Ronnie Peterson, uma roda atingiu o piloto Vittorio Brambrilla. Por sorte, o italiano não sofreu nenhum ferimento mais sério.
Nos treinos do GP da Áustria de 87, um cervo cruzou a pista e o sueco Stefan Johansson o atropelou. O animal morreu, mas o piloto nada sofreu, embora seu McLaren tenha ficado todo arrebentado.
 
Infelizmente, outros pilotos tiveram um destino pior...
No Grande Prêmio França, em 72, uma pedra vazou a viseira do capacete do austríaco Helmut Marko e o deixou cego de um olho. Marko encerrou ali sua carreira.
 
E o caso mais triste foi o de Tom Pryce, falecido em um acidente bizarro! No GP da África do Sul de 1977, a Shadow de Renzo Zorzi começou a pegar fogo e dois fiscais, totalmente despreparados, atravessaram a pista para tentar apagar o incêndio. Era uma reta e Tom Pryce, na outra Shadow, não teve como desviar e acabou atropelando um deles, que morreu. Fatidicamente, o extintor que o fiscal carregava atingiu a cabeça de Tom Pryce, causando a morte do piloto!!!
A cena foi chocante e se assemelhou ao que assistimos com Massa no aspecto que o carro de Pryce seguiu em frente, com o piloto já sem reações. O automóvel inclusive bateu no de Jacques Laffite no final da reta.
 
Entre os brasileiros, duas lembranças: a primeira é a batida que vitimou Ayrton Senna, diferente das relatadas acima por que não se deu por algo externo ao seu carro (o defeito foi em sua Williams e o ângulo e a força da pancada no muro foram decisivos), mas com semelhança no fato que o acidente foi piorado por que um braço da suspensão do carro atingiu seu capacete.
 
A segunda infelicidade envolve Cristiano da Matta, que em 2006, pela Champ Car, repetiu o caso de Stefan Johansson ao atropelar um cervo que atravessou a pista. Após o atropelamento, Cristiano ficou inconsciente e bateu em muros de proteção. O piloto foi operado, ficou na UTI, e teve uma lenta recuperação até voltar a correr. Hoje, disputa corridas esporádicas.

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