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Publicado: Terça-feira, 26 de junho de 2007

Nombre y apellido

Se algum dia eu tiver um filho, ele não vai ter nome. Vou chamá-lo apenas de filho e quando ele estiver com idade para escolher, ou mesmo inventar ou nome, ele resolve isso. Acho muito injusto dar um nome que eu gosto, sendo que, depois será ele quem vai ter de agüentar piadinhas, apelidos e diminutivos. Felipe, por exemplo, até virou “Fê”, “Féfi”, “Féli”, “Li”, “Lipe” e tem gente que até me chamava de “Felps” (deste eu gostava particularmente, tenho de reconhecer).
 
Do meu nome eu até gosto. De meu sobrenome, também. Mas e se meu filho não gostar do que eu gostaria que ele gostasse? Pensei em Felipe Fonseca Júnior (caso seja mesmo um portador de pipi). Mas tem juiz proibindo por julgar o “júnior” muito estadunidense. A solução seria Felipe Filho, mas daí meus amigos engraçadinhos me chamariam de Felipe Pai e meu pai de Felipe Avô, mesmo meu pai sendo um Luiz Carlos, filho do Felipe bisavô, que na verdade era Mário...
 
O que me agradaria de verdade, caso tivesse vontade de propagar nome e sobrenome, seria Felipe Segundo. É claro que esta opção também tem suas implicações, pois nas aulas de História tem o Felipe Segundo, Rei da Espanha. Não me desagrada a idéia de ter um filho que seja rei da Espanha. O que me irrita é que meu filhote sempre seria comparado com um sujeito de que sabe-se-lá os hábitos. E se o cara fosse um comedor de cachorro? Um caloteiro? Um lulista? Ah, definitivamente, não.
 
Desisto. Não quero mesmo um filho que se chame Felipe (nome que significa “aquele que gosta de cavalos”). Nem Filipi, Filippo, Phillipi ou FITEKAPERH (acho que Felipe em javanês se escreve assim).
 
Em um episódio do infelizmente falecido Sai de Baixo, a Marisa Orth (ali chamada de Magda) dizia que o filho dela deveria se chamar No fundo, pois, segundo ela, as pessoas sempre dizem “No fundo é um bom sujeito!”, “No fundo tem coração”. É uma opção, gosto de ter opções.
 
No fundo, eu não penso seriamente em ter um filho. Penso em adotar. É um projeto em longo prazo, nem quero pensar muito nisso agora. Mas uma coisa me agrada em especial: se adotar, não terei de dar nome a ninguém, alguém já vai ter feito isso no meu lugar.
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