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Publicado: Quarta-feira, 1 de junho de 2011

Lewis Hamilton superou Galvão Bueno

Lewis Hamilton superou Galvão Bueno
Lewis Hamilton é o segundo colocado no Mundial

Se o GP de Barcelona foi uma grata surpresa, com trocas de posições e emoção bem acima do normal, o que dizer da corrida em Mônaco?

Vettel venceu. Ok, nenhuma surpresa. Mas com a faca entre os dentes. É um progresso para uma temporada em que nosso querido alemão tem tempo para cortar as unhas do pé enquanto guia o foguete da Red Bull.

O responsável pelo sufoco do atual campeão da categoria foi um incrível Fernando Alonso. Largou muito bem, de novo. Fez uma estratégia acertada de pit stops e, vamos ao principal, manteve uma sequência de tempos bons e constantes. Pressionou muito Vettel e se defendeu bem de Button, terceiro colocado. Só não foi além em sua disputa porque uma confusão armada por uma fila de retardatários resultou na bandeira vermelha que permitiu a todos trocar os pneus gastos por novos compostos.

Mas, batidas descontadas (Perez e Petrov visitaram o Hospital), ultrapassagens esquecidas (Schumacher ganhou e perdeu posições em manobras belíssimas) e barbeiragens nos pits ignoradas (Red Bull resolveu se juntar ao clã ferrarista de trapalhadas), o grande nome do fim de semana foi Lewis Hamilton.

Hamilton é ousado. Tenta sempre a ultrapassagem. Em uma pista de rua travada igual a de Montecarlo, é certeza de diversão. Massa perdeu um pedaço do seu carro em uma disputa com o inglês – a transmissão da Globo deu a entender que a batida de Felipe foi uma consequência do toque. Não foi. Schumacher perdeu um tiquinho de dignidade. Maldonado perdeu seus primeiros pontos. Pancadas que custaram punições e uma inflamada entrevista à BBC no fim da prova.

Lewis, que estreou em 2007, apadrinhado pelo próprio talento e as asas protetoras de Ron Dennis, respondeu as perguntas da jornalista, aproveitando o espaço para ofender os comissários de prova e falar que Massa e Maldonado eram estúpidos e idiotas. Complementou com uma referência aborrecida sobre racismo. Disse que era constantemente punido porque era negro, usando um bordão do personagem Ali G.

O primeiro ponto é: Maldonado não é estúpido. Ele foi, sim, rifado da prova pelo descontrole emocional de Hamilton. Massa pode ser chamado de estúpido. A batida foi única e exclusivamente culpa dele. Quis segurar Hamilton no túnel. Espalhou para a parte suja e virou passageiro do próprio carro. Nada de sobrenatural.

Mas, pior que ofender os colegas, havendo razão ou não para os impropérios, foi mesmo transformar 20 segundos e uma passagem pelos boxes numa encrenca racial. Hamilton não é piloto do McLaren e campeão do mundo porque é negro. É piloto da McLaren e dono do troféu de 2008 porque é rápido e talentoso. Ponto final.

A grande ironia de todo este dramalhão é que a discussão do politicamente correto, do racismo, da perseguição, lançada jocosamente na entrevista, lembra muito o grande ídolo de Lewis: Ayrton Senna. E, a exemplo de Senna, Hamilton vende uma imagem um bocado diferente da realidade, o que o desautoriza a lançar lições de moral e bons costumes. Basta lembrarmos a guerra que ele iniciou em 2007 com Fernando Alonso. Vocês realmente acham que o espanhol foi o único vilão?

Hamilton é bom piloto. Precisa andar mais, falar menos e parar de ofuscar Galvão Bueno. Quando pilotos e dirigentes aparecem mais que nosso narrador mor é porque algo está muito errado. O último domingo foi um desses dias.

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