Publicado: Sexta-feira, 16 de março de 2007
Itu sem preconceitos
Dias atrás quatro amigos e eu saímos por Itu para fazer um trabalho para a faculdade. Queríamos entrevistar alguns travestis para nosso vídeo de 1 minuto. Tinha de ser algo meio Páginas da Vida. Procurávamos pessoas bizarras, sem conteúdo e o que encontramos foram seres humanos tão (ou mais) comuns que eu e você.
Sabe quando você olha para alguém pela primeira vez e diz que não gosta dessa pessoa? Depois que a conhece percebe que estava errado, que ela é “mó legal”? Então, foi isso que aconteceu comigo (e creio que com todos ali do nosso grupo).
Não é que tivéssemos preconceito contra homossexuais, longe disso! Estamos no século XXI, a sociedade evoluiu e o nosso pensamento também precisa se abrir. Tínhamos o conceito prévio (pré-conceito) de que elas seriam pessoas reprimidas, não gostariam de nos dar as entrevistas (ainda mais em vídeo) e estaríamos perdidos sem personagem para nosso vídeo.
Demoramos cerca de meia hora até abordar a Taís, certamente “a mais viajada do grupo”. Ela já morou na França, Itália e logo pretende voltar para a Europa. Lembra um pouco a atriz Thaís Araújo, mas jura que escolheu o nome antes da atriz estourar na mídia. Demorou quase uma hora para nos contar algumas de suas histórias. E, segundo ela, “se fosse contar tudo, não daria mais tempo para viver”.
E tem também a Walleska (assim mesmo, por favor, com dáblio, dois eles e cá). Ela conta como apanhou quando sua mãe a viu travestida de mulher pela primeira vez. Hoje ela ajuda a sustentar seus pais semanalmente e não vê problema algum nisso. Ficou um pouco triste porque sua mãe não ligou no seu aniversário, mas tudo bem, isso passa.
Todas elas, muito autênticas. Já foram vítimas de alguma violência machista, sofreram quando a família as colocou para fora de casa e hoje tentam viver sem esses traumas. “A gente tem que ser feliz, né? Porque tristeza é uma doença, a vida tem que seguir em frente”.
Ali, naquelas três esquinas onde elas ficam, conhecemos uma Itu sem preconceitos. Enquanto falávamos com elas, várias pessoas heterossexuais, pessoas religiosas e jovens passavam por ali, as cumprimentavam e até abraçavam. E por que não? Qual o problema? A raiz do homossexualismo ainda não foi muito bem explicada, nem pela ciência, muito menos por qualquer religião. Mas uma coisa é fato: quando a gente perde o preconceito, ganha muito mais.
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