Gabriela, as Pedras e a Ternura
A Gabriela é uma criança diferente.
Claro, todas são: e o são por motivos realmente diferentes e nenhum maior que outro.
Mas hoje, é a vez de falar desta pequenina.
Há crianças que me lembram Tistu: o menino do polegar verde. Aquela criança alada que, descobriram, visitava a Terra e que, com seu dedo, semeava verde: verde de esperança, de vida, do presente, da energia!, da alegria...
Assim é a Gabriela: artista da palavra, menina da conversa - que encanta, envolve e apazigua o mundo. Que sorri com seu abraço, que canta com sua explicação, que se esforça, que não desiste, que faz carinho com seu olhar e que acalma com seus dedos — que é simplesmente professora da palavra ternura...
“Ai tia, como tem vezes que a gente se empolga, não é?” — disse-me hoje sobre sua escrita, com aquela voz repleta de alegria que me deixa em estado de perplexidade... Como é bonito estar de bem com a vida! Ser educado com a vida! Enfrentar a vida! Não se render à vida! Crescer na vida! Curtir!
“Tia, às vezes você é brava, mas mesmo assim eu te amo” — avaliou e confessou-me, perdoando-me... oferecendo-me motivo para recomeçar sempre... Mesmo assim, e mesmo com o "às vezes", ela me ama: lição de amor!
A doce Gabriela parece-me numa posição que causa-me observação curiosa a respeito das relações de convivência; resume ela o comportamento da tolerância, da animação, da motivação, da persistência, da organização, da partilha e do não egoísmo - algo bonito de se ver e que cativa o olhar.
Não é fácil ser assim, tão Gabriela! O mundo, enfim, se torna mais colorido com a presença da pequenina. Ela não teria este brilho especial se todos fossem como ela; nem é isso que queremos. A cor da Gabriela aparece no meio de crianças cheias de vida e de cores diferentes que se destacam por tantos outros motivos que vou tentando descrever...
Pois bem: agora trago uma lição da menina.
Estávamos refletindo a respeito das rochas: "quem teria vindo antes, afinal de contas — as rochas ou a terra (o solo)?" O exercício era este, de reflexão.
Uma questão, aliás, que surgiu dos caminhos que percorremos até agora em nossos estudos de investigação do mundo da terra, esse espaço mágico e tão gostoso de se pegar, sentir, pintar, comparar, experimentar e que brota vida...
“Como foi a vocês refletir?”, indaguei ao coletivo após a atividade.
Claro, a Gabriella sempre quer testemunhar e partilhar seus sentimentos:
”Nossa, foi bem legal, eu percebi que eu mudei o que eu pensava; eu fiz assim, eu tinha lido algumas coisas e daí eu usei o que eu li para pensar e refleti na minha opinião. Ela mudou."
Termino com a lição da Gabriela a respeito da reflexão: a gente lê, o que a gente lê fica guardado na gente e daí a gente reflete depois, construindo o que a gente acha.
Gabi, que sempre a escola seja este tempo em que a gente pára para se colocar diante do que lê pelo mundo! Daí, vai valer: com você, este fica sendo meu trato pedagógico!
Partilho, Gabi — com licença, espero que me entenda: o mundo precisa conhecê-la! — a sua reflexão, após ter contado o movimento com o qual ela se elaborou:
”Eu penso que é a rocha, porque se não fosse a rocha não teria a pedra. A rocha recebe água da chuva, vento, calor e se quebra cada vez mais e isso se junta com alguns seres vivos e minerais e daí se forma o solo.”
Pode ter sido a rocha Gabi, mas como refletiu de forma muito curiosa seu colega Roberto: “Acho que é a rocha, mas não sei se é verdade, porque como a rocha se formou?”
Vocês pensando... se movimentando...: eu, aqui, sorrindo...
Gabi, olhe este movimento do Alex - ele fez como você explicou: “Eu penso que é a rocha, porque a água da chuva, do vento ou o sol faz a rocha ficar mais pequena e virar terra. Ou então a terra fica milhares de anos se juntando, faz uma forma e depois se endurece. Ou será que as duas coisas acontecem?... O mais provável é que tenham sido as rochas, deve ser isso mesmo...”
As pedras, por hora, foram apenas pretexto para ilustrar o que é a reflexão — a reflexão que você explicou tão bem...
Eu gostaria de ter, Gabi querida, sempre, o seu aconchego, o seu amor, a sua doçura e a sua vontade de conhecer e de se entender, de se explicar, de se contar e de contar tudo. Suas definições são tentativas, além de graciosas, necessárias...
Seu coração, generoso com lindeza, recebe aqui, hoje, minha pequena homenagem, a você, que é “gigante de grande”, naquilo que, para mim, é a maior das forças: a ternura!
Terna Gabi, já te escrevi isso mas aqui vai de novo, porque você me disse (claro, você sempre vem me responder...) que adorou quando leu este meu recadinho em sua agenda: “VOCÊ É A SENHORITA INCRÍVEL!!!”
Com meu carinho, este texto foi especialmente para você!
- Realmente, a gente se empolga para escrever algumas vezes... -