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Publicado: Segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Fonseqüênse

Dantesco, freudiano, machadiano, quixotesco e homérico são neologismos baseados em escritores, pesquisadores e personagens de nossa História. Eles foram tão bem feitos (no caso de Dom Quixote) e tão dedicados à sua vocação (no caso Dante, Freud, Machado de Assis e Homero) que seus nomes viraram adjetivos, presentes em nossas conversas mais rotineiras.

Dessa mesma forma, mas com outros valores (de preferência em dólares), outros personagens eternizaram seus nomes. Dizemos malufar para roubar e valerioduto sobre o esquema de pagamento para deputados aliados ao governo Lula (2002-2006).

Eu também quero virar palavra! Mas, como o apóstolo já usou a palavra Felipense, então só me resta usar meu sobrenome, o Fonseca. Assim, um dia, meu Fonseca vai virar fonseqüênse, um adjetivo interessante, com bom som e presença, mas cujo significado ainda não defini.

Talvez, quando alguém falar “esse menino é muito fonseqüênse”, esteja dizendo, em outras palavras, que “esse menino, ao escrever, viaja na maionese”. Por exemplo, aquelas pessoas que ficam rabiscando um papelzinho enquanto falam ao telefone, vivem mandando e-mails homéricos e picham as paredes para deixar um recado, estarão sofrendo do “Mal Fonseqüênse”. Ou não.

É possível, também, que fonseqüênse seja um eufemismo para daltônico, já que, hoje, muitos só me reconhecem por causa da doença.
Conhece o Felipe?
Não.
O Felipe Fonseca.
Nunca ouvi falar.
Jornalista, cabelos castanhos, 1,80m, 21 anos!
Nunca!
Aquele que é daltônico!
Ah, claro, conversei com ele agora há pouco.
Se isso acontecer, terei meu sobrenome nos livros de Biologia e nos tratados de Medicina. Será uma honra e, onde quer que eu esteja, quero sorrir com isso.

Ou não. É possível que fonseqüênse seja o nome de alguma revista, de um site ou do bar de algum tio meu (o que fará com que meu esqueleto se contorça no caixão). É perigoso que vire nome de novela mexicana, de margarina ou de uma banda de pagode (“Com vocês, Os Fonseqüênses!”). Não sei direito. Se eu pudesse escolher, fonseqüênse seria nome de um barco, título de um filme de Clint Eastwood ou de uma biblioteca (se eu pudesse, não significa que isso seja merecedor ou mesmo provável).

Se você estiver vivo quando meu sobrenome virar adjetivo, não deixe que seja usado indevidamente o Fonseca, tudo bem? Lembre a população e a mídia que já tivemos um presidente com esse sobrenome (Marechal Deodoro da...) e um escritor (Rubem...) e um vereador (Mario Lopes da..., meu avô que foi vereador em Arandu). Prometa que vai defender meu sobrenome, só assim poderei descansar em paz.

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