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Publicado: Segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Feliz Natal ou Feliz Compra?

Crédito: Flickr.com Feliz Natal ou Feliz Compra?
Presentear que sempre é um prazer, virou obrigação
Peço licença aos leitores dessa coluna, para desviar um pouco o assunto para um balanço de final de ano.
 
Antes quero deixar bem claro que gosto demais das festas natalinas, que também sou chegada a uma boa ceia na noite do dia 24 de dezembro, com aquelas gostosuras que a gente come, gosto de ver as luzes coloridas da cidade, as decorações das ruas e dos shoppings e não tenho qualquer trauma relativo ao Natal nem às festas de final de ano.
 
Entretanto, não posso deixar de continuar a questionar essa data em que, teoricamente, comemoramos o nascimento de Jesus, mas que no fundo as atenções das pessoas são voltadas para tudo, menos para o Aniversariante que dizem homenagear.
 
Há muita formalidade, muito tradicionalismo, comércio excessivo, hipocrisias e demagogias abundantes e máscaras aos montes.
 
Queiramos ou não, mas a realidade do Natal hoje é dinheiro, dinheiro e dinheiro!
Compre, compre e compre o máximo possível!!! Tô até parecendo o Lula heim!!! Não é o Natal de Jesus, é o natal das compras e agora também o da “crise”.
 
Não é preciso muito para se chegar a essa conclusão não. Observe bem se quiser comprovar essa realidade, olhe à sua volta e repare como as pessoas vivem esta época. Elas querem dar uma impressão, não se sabe a quem, de que são solidárias, fraternas, benevolentes e amoráveis ao seu próximo. É quando observamos alguns movimentos organizando aquelas cestas para levarem comida aos pobres, como se aquele pobre comesse apenas uma vez por ano.
 
São os filhos que abraçam os pais emocionados na noite do dia 24 de dezembro, desejando carinhosamente mil felicidades, mas não refletem que os seus pais precisam de carinho em todos os 365 dias do ano. São os desafetos, convidados a fazerem as pazes movidas apenas pela formalidade da época, quando deveriam se entender pela razão que não tem época limitada para ser exercida.
 
E haja mandarmos cartões de natal uns para os outros, ou melhor, mandarmos e-mails e mensagens essas que, apesar de bonitas, nada tem a ver com o nosso estilo ou com aquilo que nós intimamente gostaríamos de dizer.
 
Mas as mensagens seguem dirigidas não aquelas pessoas que verdadeiramente são nossas amigas leais, sinceras, francas, autênticas e coerentes, mas àquelas as quais nós temos algum interesse, sobretudo do ponto de vista comercial, do marketing ou do ponto de vista do estreitar algum tipo de interesse de relacionamento.
  
Todo mundo estreando roupa nova, mas apenas a nova, sem qualquer cuidado com a nova indumentária do espírito.
 
Não acham que deveríamos aproveitar o momento para fazermos uma avaliação do que fizemos no decorrer de todo o ano, em benefício do nosso próximo e de nós mesmos, visando diminuir a fome, a falta de solidariedade, a indiferença e o egoísmo, planejando uma ação mais efetiva e dinâmica para o próximo ano, em benefício humano?
 
Mas isso não acontece. Os mais necessitados que tenham oportunidade de comer um panetonezinho agora neste natal, ficarão com fome novamente no dia seguinte e em todos os outros mais de trezentos dias seguintes, descontrolando-se, sofrendo, desajustando-se e alimentando as páginas policiais dos jornais com as manchetes que ninguém gosta de ver, mas poucos fazem o menor esforço em evitar.
 
Nada de planejamento para o novo ano - A única coisa que muita gente planeja na época do natal é o modelo da roupa branca que vai usar no dia 31 de dezembro, para pular o carnaval do réveillon e por ai vai.
 
Todo mundo esperando melhora no ano novo, todo mundo desejando prosperidade para todo mundo no ano que se inicia, mas quase ninguém questionando se o simples fato de desejar, por desejar, é o suficiente para essa melhora.
 
- Será que o casal que vive se agredindo mutuamente já há algum tempo, se darão conta de que é preciso conversar sobre o problema que os leva às divergências (ambos), e vai conseguir um novo ano de felicidade, de entendimentos e sintonia só porque se vestiu de branco no reveillon e o calendário gregoriano modificou os números?
 
- Será que os filhos que tratam os seus pais e avós com indiferença, frieza, grosseria e distanciamento, relacionando-se com eles sempre como se fossem empregados seus, vão conseguir alguma paz e prosperidade no ano novo, só porque recebeu presentes e palavras de amor e paz enviados por aquelas pessoas que estão afins deles?
 
- Será que o empregado incompetente, relaxado e desonesto, que passou o ano que finda dando nózinhos aqui e ali, vai conseguir mesmo ter um bom emprego que garantirá o seu sustento?
 
Eh, gente! Um pouco de reflexão, bom senso, sinceridade, coerência e juízo não fazem mal a ninguém.
 
Deixemos de lado as formalidades, passemos essas datas mais simplesmente e reflitamos totalmente na imagem do Aniversariante, prá ver se conseguiremos ter mesmo um Feliz Natal e um Ano Novo melhor.
 
E você já pensou nisso?
 
Boa Reflexão e Feliz Natal de verdade.
 
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