Faça o que eu digo E o que eu faço!
Não é de hoje e nem eu sou a única educadora a afirmar que nossas crianças aprendem com os nossos exemplos, com os nossos procedimentos! E mais ainda, durante a chamada 1ª. Infância, que vai até os 6 anos de idade. Pois bem, então a frase que diz “faça o que eu digo, mas NÃO faça o que eu faço” não funciona na educação infantil! Ou seja, aquilo que vemos pais, educadores ou familiares fazendo de errado, anti-ético, inoportuno, será copiado e feito sim pela criança!
Em primeiro lugar, como para a criança o exemplo concreto, visto, vivenciado ou ouvido pela criança é muito mais fácil de ser gravado e é tido para ela como modelo, ela irá reproduzir com certeza! Mesmo que não o fosse, de nada adiantaria dizer “a mamãe faz assim, mas você não!” já que não faria sentido algum! “Porque não posso fazer, se a mamãe faz? Ela é o meu modelo, ela sabe tudo, porque não devo copiá-la? Afinal, em outros momentos, a mamãe olha prá mim e diz “veja como a mamãe faz para que você aprenda!” – interessante, não? Vamos tomar como exemplo a mentira. A criança ouve o pai mentir para alguém e quando o questiona, recebe essa resposta descabida, dizendo que mentiras são para “gente grande”, que sabe quando e como usá-las. É evidente que a criança irá aprender a mentir!
Precisamos começar a levar a educação mais a sério, deixando de delegar somente à escola essa tarefa – até porque a escola exerce uma influência importante sobre a criança, mas em comparação com a influência da família, acaba sendo muito pequena. Educadores nas escolas e todos os outros adultos que convivem com a criança são também responsáveis pela boa formação, evidentemente, mas a família ainda é e sempre será o centro de tudo, o maior exemplo que fará parte das raízes, da construção da base e da personalidade da criança. Vivo no meio da educação há mais de 20 anos e estas observações são produto da vivência com os mais variados casos.
A partir do momento em que decidimos ter um filho, nossa postura passa a ter um comprometimento muito maior do que antes. Não é isso que temos notado. Pais, muitas vezes despreparados para a formação de um outro indivíduo (temporariamente criança, mas rapidamente adulto), agem de maneira irresponsável no sentido da formação moral e ética de seus filhos. Alimentar, vestir e educar não é assumir a responsabilidade pela educação do filho! Educação é muito mais do que isso!
Quando digo “pais”, dirijo-me ainda à família estendida desta vida moderna: babás e avós que “cuidam” das crianças! “Será que essas outras pessoas, que influenciam diretamente meu filho, estão seguindo a mesma linha de educação que nós, pais?” Será que já nos perguntamos isso?
Babás despreparadas e avós que desautorizam os pais são bastante comuns! Até que ponto nos preocupamos em orientar as babás quanto a educação que desejamos para nossos filhos? Afinal, quem de fato acaba criando boa parte das crianças são elas! Quais são os exemplos que a babá irá dar à criança?
Avós que já criaram seus próprios filhos, dificilmente acatam a decisão sobre a educação dos netos e acabam se tornando permissivos ou anti-éticos desautorizando, por exemplo, os pais na frente da criança. Será que os pais têm essa preocupação ou até mesmo abertura com os avós para que sigam também a linha de educação escolhida por eles? A comida não é o único alimento da criança! A roupa não é o único acessório, já que alimento e acessório da personalidade são construídos, dia após dia, durante o desenvolvimento infantil.
Uma avó que critica a nora ou o genro, por exemplo, que mente aos pais para aliviar erros do neto, ou que exige postura rígida dos pais, enquanto a sua mesma é permissiva, deixa a criança confusa e sem respeito ou admiração por seus próprios pais! Familiares que resolvem as coisas no grito estão ensinando a criança a gritar para resolver seus problemas! E pior: depois punem essa mesma criança que só teve como modelo o rancor e o desrespeito!
Soluções? Não há manual de instruções, nem livro de receitas, mas diálogo, respeito, ética podem ser um ótimo começo! Análise crítica da postura assumida até aqui e tomada de decisão: (*) já que a criança será “criada” por babás ou avós, que estes façam parte da decisão quanto a educação dos filhos! (*) como tem sido o procedimento, enquanto pais, com relação a respeito e ética? As ações e reações que tenho mostrado ao meu filho são as mesmas que desejo que ele reproduza? (*) tenho conduzido meu filho (neto, sobrinho, aluno) na direção de uma sociedade ética, justa e respeitosa? (*) quanto tempo do meu tempo eu dedico a me informar e aprender sobre a formação do caráter do meu filho? (*) posso dizer abertamente que desejo que meu filho literalmente “faça o que eu digo E o que eu faço?”
Há uma frase de autor desconhecido que eu quero deixar ao leitor, como convite à reflexão: "todo mundo está pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos. Quando que pensarão em deixar filhos melhores para nosso mundo"?
Voltaremos ao assunto em breve!