Episódio da sala de aula - Quando conhecimento se torna dogma de fé...
O assunto lá na sala "de aula" era a Simetria.
(Afinal, estamos lá na escola também para isso: apresentar "os nomes" aos pequenos, que já sabem tanto do sentido das coisas que estão por trás de nomes e nomes...)
Mas a polêmica se instalou no micro-universo de algumas crianças: afinal, teria a letra "O" dois ou 4 eixos de simetria?
Acontece que já tínhamos analisado outras formas (no papel) e reconhecido que o eixo, nelas, não existia: pois o "espelho" equivalente não se refletia.
Pois bem.
Mas o grande Murilo, o Murilo que é inquieto, que quer saber as causas e tem uma persistência que quando eu crescer quero ter, não se dava por convencido e eu... vendo o tempo da "aula escolar" correr e ele não desistindo... quando, parecia pelo menos mais que menos óbvio que o "O" não tinha além de dois eixos de simetria...
E o tempo do relógio passando: não poderia ele acreditar em mim? Pelo menos para que a gente, na correria do fim do ano, seguisse adiante com os exercícios...
Risos... Ah, que caminho contrário ao da perplexidade da infância!
Mas claro que não e que bom, que maravilhoso que ele não acreditou... Criança é assim... e que bom se assim fôssemos para sempre...
Que bom que não porque assim o Murilo me fez reconhecer que eu não estou na escola para responder simetricamente à ordem das coisas... Não estou para ser espelho, mas para ser com eles... nesta aventura desordenada, que não obedece a programas, e favorece, assim, aprendizados de vida real...
E que bom estarmos em um tempo e em um espaço escolar que nos provoca realmente a isso: a esta experiência sobre o improviso e sobre a descoberta!
Então, vamos lá: lá onde a gente sempre deveria estar... Na vida concreta: pegamos o papel, recortamos, constatamos: e o Murilo riu - aquela risada de "Ah, é mesmo... tá certo!"
Mas foi preciso testar, ver, olhar... dobrar, procurar... Pesquisar, sentir... Não aceitar e percorrer a travessia!
E eis que vem a Nicole e comenta em particular, com sua doçura do tamanho do universo, comigo: "Pois é tia... Eu já li na Bíblia que felizes são aqueles que acreditam sem ter visto..."
RISOS! GARGALHADAS!!!
É, pois é... a escola lida muito com isso... fazer a criança acreditar, sem ver... sem viver...
Não, minha querida Nicole, eu acho que, pelo menos neste caso, a gente tem que ver... Vocês estão certos de querer ver, de perguntar... Nunca percam isso em vocês... Nunca...
Tomara que tenham entendido esta lição hoje... de ir até o fim, para acreditar... Afinal, vai que o "O" tivesse mesmo mais de 2 eixos??? Vocês iriam descobrir algo ineditíssimo!!!
Fez-me pensar a Deborah, a pouco, ao ler este texto, que há sim todo um universo de coisas que fazem a gente crer sem ver... e aí estão as causas do amor, do coração. É verdade... Foi isso o que a Nicole nos faz pensar também...
A criançada me faz visitar tantos mundos... Todo dia. Incrível... Seja pela dor, seja pelo amor... são experiências que não me fazem igual. Jamais.
Bom, deu tempo de trabalhar tudo o que tínhamos que trabalhar naquela aula. E mais tudo isso!