Entendendo a síndrome do pânico
O Transtorno do pânico (TP) ou Síndrome do Pânico é caracterizada pela presença de seguidos ataques de pânico, definidas por crises espontâneas de mal-estar e sensações de perigo ou morte iminente, acompanhados por múltiplos sinais e sintomas, cuja origem envolve fatores etiológicos biológicos e psicossociais.
A palavra pânico deriva do grego Panikon, atribuída há mitologia grega ao Deus Pã, um ser misto de homem e animal com chifres e patas, que causava medo nos camponeses.
Um ataque de pânico isolado, por si só, não poderá ser caracterizado como transtorno do pânico, pois existem alguns outros fatores que podem ocasionar este ataque de pânico singular (ex: situação extrema de perigo, uma pessoa exposta a situação ou objeto fóbico (medo exagerado), abuso de cafeína ou substância psico-estimulantes) que não irão repercutir de forma efetiva e continuada no cotidiano da pessoa, não impedindo a mesma de realizar suas funções e papéis cotidianos , enquanto que em pessoas com o transtorno do pânico, existe uma maior possibilidade de prejuízo na qualidade de vida em virtude das crises recorrentes, ocasionando perdas significativas no desempenho ocupacional psico-afetivo, psicossocial e cognitivo, ou seja, a pessoa não consegue manter a mesma capacidade de enfrentamento das tarefas que todos nós necessitamos desenvolver no nosso dia a dia, em função do medo de que estas crises possam acontecer novamente há qualquer momento, causando sensações desagradáveis e embaraçosas para a pessoa.
Utilizando a definição do DSM-IV, podemos entender o ataque de pânico como um episódio agudo de medo ou pavor acompanhado de pelo menos quatro dos sintomas somáticos ou cognitivos abaixo:
1. Palpitações ou taquicardia
2. Sudorese
3. Tremores ou abalos
4. Sensação de falta de ar ou sufocamento
5. Sensação de asfixia
6. Dor ou desconforto torácico
7. Náusea ou desconforto abdominal
8. Sensação de tontura,instabilidade,vertigem ou desmaio
9. Sensação de despersonalização (de não ser você mesmo) ou desrealização (os acontecimentos para que não acontecem)
10. Medo de perder o controle ou enlouquecer
11. Medo de morrer
12. Parestesia (formigamentos em alguma parte do corpo)
13. Calafrios e ondas de calor.
Após um ataque de pânico, é comum que a pessoa sinta-se cansada, fraqueza e extremo relaxamento. Ainda podem sentir vergonha por demonstrarem sua suposta “fragilidade” aos demais.
Para ser considerado como transtorno do pânico é necessário que exista um padrão repetitivo de ataques de pânico com impacto negativo na qualidade de vida da pessoa e em suas atividades cotidianas como já citado anteriormente.
O diagnóstico desta doença é feito por um médico psiquiatra, que possui a formação adequada para caracterizar este transtorno, que se enquadra dentro de outros transtornos de ansiedade.
Um tratamento que tende a apresentar bons resultados, é a combinação da utilização de medicamentos prescritos pelo médico psiquiatra, associado há terapia, sendo de extrema importância esta associação da medicação + recurso terapêutico para a retomada mais breve do fazer e viver humano.
É importante ressaltar que pessoas com transtorno do pânico, não estão com “frescuras”, “chiliques” ou estão ficando loucas, e muitas vezes são obrigadas a ouvir algo de pessoas que desconhecem o quadro e dizem algo como: “Isso é frescura...”, “Reaja!”...
Nada disto é correto, pois alterações na bioquímica cerebral associadas a questões psico-emocionais-cognitivas é que desencadeiam estas reações exageradas de alarme do organismo.
Felizmente o tratamento existe, é possível a retomada da qualidade de vida e das funções cotidianas.
Ao meu ver, num lar onde exista uma pessoa com transtorno do pânico, é necessário muito amor e empatia, compreensão, respeito e apoio espiritual para a retomada da vida e do viver.