Publicado: Quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Diálogos Impossíveis
Com a morte das ideologias (de norte a sul, leste a oeste. Amém), é tendência que as artes reproduzam a confusão do homem moderno/pós-moderno. Confusão que podemos ver em filmes como “Babel”, do mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritú. A humanidade está fadada a não se entender e isso muito mais por causa da intolerância e impaciência do que pela diferença entre culturas.
Mas Iñarritú faz cinema sobre isso de maneira séria demais (embora o faça muito bem). Um filme em cartaz na cidade fala sobre o mesmo assunto garantido que ele pode ser mote de boas (ótimas) piadas. Falo de “Diabo a quatro”, longa de 1933 que o cineclube Osvaldo de Oliveira exibe até domingo. Na história, dois países tentam se entender, mas o temperamento de um dos personagens acaba provocando diversos embaraços diplomáticos que explodem uma guerra insana.
O filme faz lembrar da época de ouro dos trapalhões, mas vai muito além. É preciso acompanhar todas as legendas, pois praticamente todas trazem uma piada. Os costumes da burguesia e os exageros políticos são os alvos mais comuns.
De todos os que estavam na estréia, na última quarta-feira, escutavam-se boas gargalhadas, especialmente quando aparecia o personagem que entra mudo e sai calado. Tem que ver para entender, não vou estragar. Apenas confie e vá assistir.
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