Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 25 de junho de 2012

Diálogo do papa com as famílias

Dentro das atividades desenvolvidas no Encontro Mundial das Famílias em Milão vamos destacar a Festa dos Testemunhos, no dia 2 de junho próximo passado, onde o papa recebeu diversas famílias de diferentes partes do mundo estabelecendo profundo diálogo com elas, do que resulta uma verdadeira catequese.

Um Casal de noivos de Madagascar manisfesta ao Santo Padre os sentimentos de que foram feitos uma para o outro e o desejo de casar e construir um futuro juntos, orientados pelos valores do Evangelho. Ao mesmo tempo confessam que o “para sempre...” os assusta.

O papa lembrou que o matrimônio deve ser fruto de uma vontade e uma escolha maduras. “O amor, que é absoluto e tudo quer, deveria, garantir o “para sempre”, mas infelizmente não é bem assim, “o namoro é lindo, mas talvez não sempre perpétuo, assim como o sentimento: não permanece para sempre. A passagem do namoro ao noivado e depois ao matrimônio exige diversas decisões, experiências interiores. É lindo este sentimento de amor, mas deve ser purificado, deve andar num caminho de discernimento...”

No Rito do Matrimônio, a Igreja não pergunta se “estão apaixonados?”, mas “se querem”, “se estão decididos”. Se essa é realmente a vida que querem. “Isto é: a paixão deve se transformar em verdadeiro amor, envolvendo a vontade e a razão num caminho, que é aquele do noivado, de purificação, de maior profundidade...”.

“Eu penso sempre nas bodas de Caná. O primeiro vinho é muito bom: é o namoro. Mas não dura até o fim, deve vir um segundo vinho, isto é deve fermentar e crescer, amadurecer.”

“Um amor definitivo que se torna realmente “segundo vinho” é mais bonito, melhor que o primeiro vinho. E isso devemos buscar.”

Uma Família grega pergunta ao papa o que a Igreja pode dizer face à atual duríssima crise econômica, que afeta os negócios e a vida de milhões de famílias, comprometendo até a própria esperança.

“Devemos fazer alguma coisa de concreto...”. Na política, “parece-me que deveria crescer o sentido de responsabilidade em todos os partidos, que não prometam coisas que não podem realizar, que não busquem somente votos para si, mas que sejam responsáveis pelo bem de todos e que se compreenda que a política é sempre também responsabilidade humana e moral diante de Deus e dos homens”

Todavia, “...busquemos que cada um faça o seu possível, pense em si, na família, nos outros, com grande senso de responsabilidade, sabendo que os sacrifícios são necessários para ir adiante”

Uma Família americana expõe ao papa um problema da sociedade moderna, comum a tantas famílias: conciliar o trabalho (que compromete seus horários) e as relações familiares. Reclama que as instituições e as empresas não facilitam a conciliação dos tempos de trabalho com os tempos da família.

O papa reconhece não ser uma tarefa fácil conciliar essas duas prioridades fundamentais: trabalho e família. Convida “os empregadores a pensar na família, a pensar também em como ajudar a fim de que as duas prioridades possam ser conciliadas”

Lembra ainda a necessidade pessoal de se buscar certa criatividade e mesmo “qualquer renúncia à própria vontade para estar junto à família...”
E finalmente, vem o domingo, a festa: “espero que seja observado na América”.

Ressalte-se aqui a recuperação do sentido do domingo como um “tempo para Deus”, “um tempo para o homem” e “um tempo para a família”.

Uma Família brasileira de Porto Alegre comenta o contínuo aumento das falências matrimoniais no Brasil e no resto do mundo. Lembra ainda o drama dos casais em nova união, excluídos dos Sacramentos.

“Queridos amigos...este problema dos casais em segunda união é um dos grandes sofrimentos da Igreja hoje. E não temos receitas simples”.

“Eu diria – lembra o papa – que é muito importe saber, naturalmente, a prevenção, isto é, aprofundar desde o início, no namoro, numa decisão profunda, madura. Além disso, o acompanhamento durante o matrimônio, a fim de que as famílias não estejam nunca sozinhas, mas realmente acompanhadas em seu caminho”.

“Parece-me um grande desafio para uma paróquia, uma comunidade católica, fazer realmente o possível para que eles se sintam amados, aceitos, que não se sintam “fora”, mesmo que não possam receber a absolvição e a Eucaristia”.

“Depois, é também muito importante que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participada se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem o recebimento “corporal” do Sacramento, podemos estar espiritualmente unidos a Cristo no Seu Corpo. E fazer entender isso é importante, que realmente encontrem a possibilidade de viver uma vida de fé, com a Palavra de Deus, com a comunhão da Igreja...”

Comentários