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Publicado: Terça-feira, 18 de março de 2014

Diagnóstico de zoológicos e aquários argentinos

Diagnóstico de zoológicos e aquários argentinos

PODE SER ESTENDIDO AO BRASIL E À AMÉRICA LATINA

Este informe que traduzimos foi preparado pelo ambientalista argentino Claudio Bertonatti, junto com Fidel Baschetto e Carlos Fernandez Balboa, em 2014 e apresentado para consideração do público e às autoridades argentinas pela Fundação de História Natural “Féliz de Azara”.

No Brasil, o debate similar está aberto e, em nível do Congresso Nacional, se vislumbram legislações que se aproximam ao que também se discute neste país-irmão. Os zoológicos devem mudar, ou perecer, como falam os nossos parceiros. A conversão em centros de resgate e a reabilitação de espécies de nossa biodiversidade, colaborando também com a educação ambiental das novas gerações, são o caminho único e imediato. Insistir na exploração do negócio dos zoológicos como diversão humana, à custa do sacrifício de milhões de vidas de animais inocentes, é um câncer que deve ser extirpado sem dor nem remorso.

Dr. Pedro A. Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional

FUNDAÇÃO DE HISTÓRIA NATURAL “FÉLIX DE AZARA”

DOCUMENTO DE DIAGNÓSTICO E POSIÇÃO SOBRE “OS ZOOLÓGICOS E AQUÁRIOS NA ARGENTINA” (RESUMO)


“Na Argentina, existem atualmente perto de uma centena de coleções de animais silvestres vivos chamados genericamente de “zoológicos”. Porém, um zoológico é uma instituição que deve cumprir com os objetivos enunciados pela instituição de referência dos mesmos: a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (World Association of Zoos and Aquarium, WAZA). Daí que na Argentina não existam zoológicos autênticos que cumprem com os fundamentos mencionados pela WAZA e que estejam de acordo com sua "estratégia mundial dos zoológicos e aquários para a conservação." Só alguns poucos cumprem com alguns desses princípios e objetivos. E se faz necessário esclarecer que só o fazem parcialmente.

A visão da WAZA mantém que “a meta principal dos zoos e aquários será integrar todos os aspectos de seu trabalho dentro das atividades da conservação”. Fica claro, então, que mais de 90% dos locais popularmente chamados de zoológicos não são mais que meras coleções de animais vivos para serem exibidos ao público com fins comerciais ou recreativos. Infortunadamente, esta também é a realidade dos grandes zoológicos estatais do país, localizados nas cidades mais importantes: Buenos Aires, La Plata, Córdoba e Mendoza.

A crise ambiental mundial enfrentada pela biodiversidade no território argentino exige que os zoológicos, aquários, jardins botânicos e museus de história natural se insurjam ante a extinção que se aproxima, sendo estas instituições que concentrem a máxima responsabilidade de conservação no lugar que existem. Com poucas exceções (que se dão em nível de projetos específicos muitas vezes sustentados por pessoas isoladas e não por instituições) a maioria está longe das circunstâncias.

Um diagnóstico dos zoológicos e aquários argentinos coloca em evidência as seguintes situações:

1. Sendo conhecidos como “zoológicos”, esta definição não se aplica aos mesmos, já que se limitam a ser meras coleções de animais silvestres vivos. Não têm a visão, nem procuram alcançar os objetivos enunciados pela WAZA, a instituição de referência a nível mundial que os agrupa. É justo reconhecer que existem funcionários, diretivos, técnicos, educadores e tratadores comprometidos com o que deveria ser um bom zoológico, porém não têm o respaldo econômico e político para conquistar seus objetivos.

2. Procuram mais fins comerciais e recreativos do que conservação, educação e investigação. A imensa maioria (mais de 95%) não conta com planos mestres, nem programas formais de conservação, bem-estar animal, educação ambiental e pesquisa. Não importa que as normas vigentes o exijam.

3. Cometem conduta ilícita (maus tratos, tráfico de fauna, contato direto entre visitantes e mamíferos silvestres, faltam registros e inventários confiáveis, etc.). Alguns os levam adiante de modo público e crônico, exibindo impunidade, abandono, imperícia e cumplicidade com variadas autoridades governamentais.

4. A maioria carece de infraestrutura, normas de segurança, higiene, sanidade e bem-estar animal, que se caracterizam por sua improvisação e precariedade.

5. Existe uma minoria competente de pessoal qualificado que desenvolve suas funções nos mesmos. Porém, existem também práticas erradas (manejo, contenção, educação, etc.) que se repetem cronicamente até serem aceitas como “normais” e chegam a ser consideradas até “corretas”.

6. Não existem ordem nem critério na seleção de espécies que formam a coleção ou população animal, sem nenhuma relação com a política de conservação. Não há planos nem de coleção nem de administração da mesma, exceto quando têm objetivos comerciais. Isto se faz evidente quando se privilegia a aquisição, reprodução e exibição de animais “estrelas” (sem nenhum valor para a conservação nem para a educação pública, como leões e tigres brancos) com o único fim de aumentar a venda de entradas, publicidade ou ganhos através de sua venda ou permuta.

7. As populações cativas se caracterizam por serem endogâmicas (resultado da reprodução entre animais parentes) e mestiças (cruzamento com distintas raças geográficas ou subespécies). A falta de registros e de controle sobre a origem geográfica e familiar dos indivíduos aumentam um manejo reprodutivo descontrolado, que desperdiça recursos financeiros e dilui os esforços de conservação ou conspira contra os mesmos.

8. Como prevalece o interesse comercial ou recreativo, nas grandes instituições, que deveriam dar o exemplo, se privilegiam a exibição de grandes mamíferos do Velho Mundo sobre os representantes da fauna Argentina. A biodiversidade provincial, regional e nacional, que deveria ser a prioridade, é menosprezada. Isto se reflete nas dimensões e localização dos espaços escolhidos para a exibição das espécies e sua di

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