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Publicado: Sábado, 5 de dezembro de 2009

Como lidar com seus problemas

Era uma típica manhã de domingo. Enquanto tomava o meu desjejum, parei diante da televisão. O programa dominical tinha o esporte como tema principal. E me apresentou uma história realmente fascinante.

Em janeiro deste ano, a vida de Simoni Felizardo mudou radicalmente. Aos 13 anos de idade, ela acompanhou os pais em uma excursão de Toledo (PR), onde reside a família, até Aparecida do Norte (SP). 

Católicos praticantes, foram visitar a casa da Mãe de Deus. Mas ninguém contava com o que aconteceu na volta. O ônibus em que viajavam envolveu-se em um grave acidente, com várias pessoas feridas e mesmo alguns mortos. Simoni perdeu o braço direito.

Nada aconteceu com os pais de Simoni, assim como vários outros passageiros que saíram ilesos do acidente. A garota não se deixou abater. Bonita e inteligente, procurou adaptar-se a uma nova rotina, com um braço apenas.

“Eu não podia ficar triste com o que Deus tinha reservado para mim”, disse Simoni à repórter. A menina contou que não havia nada a fazer além de aceitar o ocorrido e tocar a vida. Os pais afirmaram que jamais, em momento algum, a filha havia se queixado.

Simoni continuou com as aulas de pintura. Continuou atendendo telefone, usando computador e escrevendo. A dificuldade foi grande, já que era destra. Teve que aprender a ser canhota de uma hora para outra.

A garota continuou até mesmo a praticar voleibol. “Com um braço só, ela ainda é melhor do que eu”, disse uma de suas colegas de quadra. A matéria jornalística quis mostrar ao espectador a força interior que devemos ter para superar grandes dificuldades.

Terminada a reportagem, comentei comigo mesmo: “E eu acho que tenho problemas na vida...”. Fiquei realmente emocionado ao perceber o quão reclamão consigo ser diante de Deus e até mesmo diante dos mais próximos.

Um resfriado leve, um carro na oficina, alguns dígitos em negativo no saldo bancário, serão realmente problemas com poderes de nos tirar o sabor da vida? Uma multa ou um imposto a mais, a convivência com a sogra ou com o vizinho chato, não seriam probleminhas de nada?

Há por aí milhares de histórias parecidas com a de Simoni. Tragédias que surgem do nada, caindo sobre uma pessoa, sua família e amigos. Fatos que mudam para sempre a vida de alguém e que nos servem de lição para valorizarmos o que temos.

Qual a grande dica para lidar com os meus, os seus, os nossos problemas? Não sei ao certo. Mas após a reportagem sobre Simoni peguei meu sobrinho pela mão e fui até a padaria mais próxima. Comprei dois grandes sorvetes, de tangerina e maracujá. E fiquei curtindo aquele momento ali, deixando os “problemas” de lado e pensando: “Eu não tenho problemas. Eu tenho vida”.

Amém.

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