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Publicado: Quarta-feira, 1 de outubro de 2003

COM A VOZ, AS CRIANÇAS - parte I

Em horas como estas, sinto-me muito agradecida à vida por trabalhar com a Educação.
   
   Por ter ela me permitido o encontro com a criançada no meu dia a dia de cada dia.
   
   Mas confesso: sou orgulhosa.
   
   Porque quero que muita gente saiba: quando digo que gosto, digo que amo. Não gosto por gostar: porque as crianças são uma "gracinha"... porque elas fazem "coisas bonitinhas".
   
   É tudo muito além-isso... Pelo menos, porquanto.
   
   Amo desconhecendo tanto: não sabendo muita coisa, mas realmente envolvida pelos mistérios ali prometidos. Amo com sinceridade: tem dias que, conhecendo o pão bolorento por dentro da bela viola, me aborreço. Quero fugir. E não ser adulta. Me separar.
   
   É: como em toda história de amor, há também muito medo. Disse o Paulo Freire: "O contrário do amor não é, como muitas vezes se pensa, o ódio, mas sim o MEDO de amar. E o medo de amar, é o medo de ser livre..."
   
   Mas as crianças... Lá estão elas...Tão e sempre animadas e felizes com a vida.
   
   A gente aprende mesmo muito ali. Não é falar da boca pra fora, mas de um dentro que se fez e se faz pelo fora da convivência com esta sabedoria.
   
   Sei pouco. E isto me causa cansaço: ah... a ilusão de querer corresponder a tantas e tantas perguntas...
   
   Mas me perplexifico: quanta filosofia ali guardada... No pensamento infantil, toda a história do conhecimento.
   
   Hoje quero compartilhar um pouco disso...
   
   Há muito que não escrevo e... justificar-me? Coisas de um tempo que corre... mas que é amigo também...
   
   Quero compartilhar um pouco do sentido das coisas que vão acontecendo nesse meu tempo. Estava com saudades disso. Quero que saibam o muito que vai acontecendo comigo. E... sorriam, junto de mim.
   
   Meu orgulho vem daqui: de testemunhar esta explosão tão poética e sábia de palavras. Sentir o tempo/ espaço presente que compartilhou tais situações é algo mágico... mas que só eu vivi.
   
   Daí, meu agradecer à vida.
   
   ' DA BELEZA DAS FLORES'
   
   'Tia Ju ganha dois ramos de lírios do campo de sua aluna Isabella Pacheco, na fila, ao iniciar a 3a feira de trabalho...
   
   (Dia ganho já...!!!)
   
   Encantada, olha para eles e comenta aos primeiros alunos que estavam na fila:
   
   - Nossa... Olha que simetria!!!
   
   Ao ouvir isso, a sábia Maria Clara que ali era uma das alunas, comenta:
   
   - Ai Tia, você não perde mesmo nem uma oportunidade de dar uma explicação!
   
   Cai a ficha da Tia Ju e ela responde:
   
   - É mesmo, não Maria Clara? E o que você acha disso? É chato não é?
   
   - Não tia... É só que você não perde mesmo nem uma oportunidade de explicar as coisas. Eu acho engraçado. NEM QUANDO VOCÊ GANHA UMA FLOR!'
   
   Que puxa... Maria Clara me fez pensar sobre a minha condição de neurose ameaçada. Obrigada a ela, sempre. Já lhe agradeci no dia e continuarei a fazê-lo.
   
   As flores, Maria Clara eram... lindas, cheirosas e delicadas! Acho que assim fica melhor!
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