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Publicado: Quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Chantagem com os filhos? NÃO!

Chantagem com os filhos?  NÃO!

Chegamos a um assunto bastante delicado e difícil para desenvolver: a questão da chantagem com as crianças! Refiro-me a chantagem mesmo, aquela que compra, deliberadamente, um comportamento, atitude, tudo enfim! Esse tipo de negociação deturpa a relação entre pais e filhos, ensina a negociar o que jamais poderia ser negociado: EDUCAÇÃO E RESPEITO!
 
Em plena era das inteligências múltiplas, em que pais preocupam-se em selecionar escolas que valorizem o desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, nos deparamos, por outro lado, com os mesmos pais subestimando a inteligência de seus filhos, aplicando a negociação ao invés da educação pelo respeito, aquela que prioriza a autonomia moral e intelectual de seus filhos.
 
Existem diferentes formas de se lidar com situações parecidas e é a forma diferente que irá taxar a atitude de chantagem ou não (para crianças a partir dos 4 ou 5 anos, mais ou menos). Explicando melhor:
 
A criança não se comporta bem à mesa, na presença de visitas. Faz malcriação, não come direito, responde, enfim, tudo aquilo que envergonha os pais. O que fazer? Frase típica: “se você não se comportar, vai ficar sem andar de bicicleta uma semana!” ou “se você se comportar, depois eu te compro um brinquedo de presente.” Resultado: nunca mais, em nenhuma situação, a criança irá atender aos pais sem que haja uma negociação por trás. Pior que isso: conforme for crescendo, o valor de compra/venda vai aumentando e se torna um tormento – mesmo porque, na vida “real” a negociação é outra e o indivíduo é excluído ou marginalizado, caso não se adapte às regras. Aí, os pais que já não aguentam mais a situação, perdem a cabeça e batem ou brigam, agridem etc. Tudo errado, desde o princípio!
 
Esta criança precisa aprender a se comportar por si mesma, ser incentivada a ter vontade própria, desde que adaptada ao meio, já que é um ser humano que vive em sociedade. É na família que estão as primeiras regras sociais que ele deverá aprender e decidir aceitá-las ou não.  Sim, é sempre dada a oportunidade de escolha “orientada, cuidada”. Entretanto, tudo na vida tem conseqüências e este exemplo não foge à regra.
 
Agora, um exemplo de situação que desenvolve a idéia de autonomia para a escolha: “Para que você possa ficar conosco à mesa, deverá agir assim e assim... caso não consiga, não poderá estar entre nós e ficará em seu quarto, esperando que termine o jantar. O que prefere? Ficar? Sabe qual é a regra claramente? Não quer ficar? Sabe que ficará no quarto, sem nenhum brinquedo, sem companhia e sem nada para fazer?” Pronto! Está feito! Se ficar à mesa bem, não precisará ser presenteado por bom comportamento. A satisfação é o comentário positivo dos pais, sem exageros, depois do jantar. Se começar se comportando bem e ficar mal depois, só o fato de olhar nos olhos dos pais já saberá o que deve fazer para continuar lá ou não. Se não se comportar, o fato de ir para o quarto não é um “castigo” e sim uma sanção, uma consequência daquilo que ela, criança, escolheu para si.
 
Com o tempo, aprenderá facilmente que as consequências são de acordo com as escolhas que ela faz e, assim, não irá culpar a terceiros por suas chateações. Erra quem pensa que a criança não compreende se for explicado desde tenra idade. O grande erro é mimar, castigar, comprar, chantagear enquanto bem pequenos e depois, de uma hora para a outra, querer dialogar... Sempre digo que o hábito do diálogo em família já começa na gestação! Depois, pode ser tarde!
 
Tem se difundido a atitude de atribuir pontos às crianças, como forma de “espelho” de seu comportamento. Não há problemas, isso pode ser feito. Entretanto, precisa ser bem feito para que não tenha consequências desastrosas. O prazer da criança deve ser, antes de mais nada, pelo reconhecimento de suas boas atitudes e satisfação de todos à sua volta. Ser gratificada com meia hora a mais de televisão, por exemplo, pode ser usado esporadicamente e de preferência como uma surpresa pela satisfação dos pais! O que não se deve fazer é recompensar a criança com objetos materiais, para que não se evidencie a chantagem e a negociação propriamente ditas. Volto a dizer: com o tempo o preço sobe, como a inflação! As conseqüências para uma criança que está em formação de caráter, podem ser desastrosas.
 
Basicamente, o que mais falta na educação das crianças, em família, é o estabelecimento prévio de regras claras, ditas de modo que a criança entenda. É preciso repetir algumas vezes para serem memorizadas. Quais são as atitudes esperadas à noite, em casa? Horário e local de lição de casa, de banho, de jantar... horário de brincar, tudo enfim! Muitas vezes a criança erra por total desconhecimento do que seria esperado dela. É esperado respeito e obediência pelos pais ou é normal a falta de respeito, os gritos, as interrupções? Depende da família, já que a criança é um ser novo que surge com a família já formada. O que não se pode, é dar exemplo de uma coisa e exigir outra.
 
Os pais são o modelo para os filhos e as crianças repetem fielmente o que vêem, até porque aprendem muito mais com os exemplos do que com discursos! Vamos pensar nisso?

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